/3.5 – Para mulheres acima dos 30!


3.5 – Para mulheres acima dos 30!

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por: Equipe Flávia Rita

Aos 35, como eu me sinto?

Fisicamente, um pouco mais pesada. Mas, mais leve por dentro!

Já não me ressinto tão facilmente. Já não minto para agradar os outros. Já não finjo ser o que não sou.

Preocupo-me mais comigo mesma (e com os meus sentimentos) do que com o que os outros pensam a meu respeito.

Sei que Vinícius tinha razão acerca do seu “eterno enquanto dure” e que não há nada que eu possa fazer para mudar essa verdade inconteste.

Já não choro por qualquer coisa, mas sorrio à toa.

Não questiono a vontade de Deus e aprendi a lidar com as perdas e cruzes que a mim se designaram.

Amo amar, independentemente do que isso possa me causar.

Não penso no futuro como algo tão distante nem fico remoendo dores do passado: valorizo o instante mínimo sobre o qual eu tenho controle e posso agir, denominado “tempo presente”.

Aos 35, pouco me importa se o rosto ou o físico já não são tão expressivos. Tenho outras qualidades, outras convicções (embora, claro, muito me incomodem moças de 18 anos… principalmente, as que conjugam a beleza do corpo com a do espírito).

Desenvolvi a capacidade de conviver com os defeitos dos outros e com os meus.

Aprendi a observar mais as virtudes que as imperfeições humanas.

Experimento diariamente o exercício da compaixão, do altruísmo, da obrigação de tentar ser alguém melhor.

Relembro, sem culpa, aquele amor do passado (sem que isso comprometa o atual).

Planto o que realmente quero colher. Não jogo sementes ao vento. Cuido do meu jardim.

Descobri que fidelidade está muito mais presente nas amizades que nos relacionamentos amorosos.

Compreendi que felicidade é uma opção a ser feita diariamente. Uma conquista que não depende dos outros, mas só de nós mesmos.

Aprendi a ouvir o conselho de pessoas mais maduras (e também – por que não? – de jovens bem intencionados).

Aprendi que não há nada de errado em não estar certa sobre o que é certo.

Aprendi a valorizar cada manhã sem tanto apego ao amanhã.

Já sei que certezas mudam com o tempo e que voltar “atrás” não é feio. Pode ser inclusive a única coisa sensata a ser feita.

Por outro lado, não tenho dúvida
de que flores amarelas me encantam…
de que não há nada melhor que acordar ouvindo “mamãe”…
de que a comida da minha vida não se define pelo paladar, mas sim pelo poder mágico que tem de me transportar para a infância.

Peço desculpa com mais frequência. E procuro (tento pelo menos) desculpar aos que me têm ofendido.

Mudo de roupa se não gostar da que estou usando exatamente da mesma forma como mudo de ideia se houver argumentos para fazê-lo.

Valorizo uma boa conversa e seus silêncios. Aprendi a ler o que não está escrito e a ouvir as coisas não ditas ainda que não sejam exatamente o que queria…

Já compreendi que duas doses de vodka me deixam mais risonha, mais animada, mais reveladora de mim mesma. No entanto, três… me fazem dormir ou me dão dor de cabeça em todas as conotações possíveis.

Reconheço minhas limitações. Busco diariamente trabalhá-las.

Sonho sempre.

Adoro as palavras “sussurro” e “suspiro” em forma, som e conteúdo.

Sou incorrigivelmente romântica. Acredito em príncipe encantado à beira dos 40 – mesmo já tendo tentado (sem sucesso) algumas vezes.

Já aprendi que quando algo fracassa perto de nós a responsabilidade também é nossa, ainda que não a aceitemos.

Já sei que realmente tudo passa e que o que ficam são lembranças do que foi, e não do que deveria ter sido.

Aos 35, estou em paz: não busco o que não posso ter… Potencializo tudo o que tenho. Dou o meu melhor todos os dias. Apenas isso.

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