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Instituto Consulplan: conheça o perfil da banca

Equipe Flávia Rita

Com uma trajetória consolidada e reconhecida por sua seriedade e qualidade técnica, o Instituto Consulplan desempenha um papel crucial na condução de concursos públicos em diversas áreas. Continue a leitura e conheça o perfil da prova de português da banca, ao final, baixe o e-book gratuito e tenha acesso a questões comentadas e provas antigas para vocvê começar a estudar!
Instituto Consulplan

O Instituto Consulplan é uma banca responsável por organizar processos seletivos e concursos públicos, habitualmente no estado de Minas Gerais. Entretanto, o instituto tem ganhado mais projeção e passado a organizar alguns certames em outros estados, como Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amazonas, Paraná, Tocantins, Pernambuco, dentre outros.

Nesse sentido, se você vai realizar algum concurso organizado pelo Instituto Consulplan, o primeiro passo é se informar sobre banca. Portanto, continue a leitura e entenda como o instituto cobra os conteúdos de língua portuguesa nos certames e, ao final, baixe o material gratuito para começar a treinar para o seu certame.

Características do Instituto Consulplan

O Instituto Consulplan é uma banca organizadora de provas e processos de seleção sediada no estado de Minas Gerais.

Diferentemente de outras bancas mais conhecidas e que apresentam questões com níveis de dificuldade mais elevados, como Cebraspe e FCC, o Consulplan costuma elaborar provas com menor nível de complexidade. Desse modo, em relação ao grau de dificuldade de suas provas, equipara-se, para se ter uma ideia, a outras organizadores regionais, como a Fundep, Fumarc, Vunesp e Cesgranrio.

Perfil da Prova de Português

  • A prova de português do Instituto Consulplan apresenta uma preferência por textos longos, os quais ensejam a cobrança de questões de interpretação de texto e vocabulário;
  • Além disso, é comum ver alguns conteúdos de gramática normativa, embora não seja possível identificar uma predileção específica por uma ou outra matéria, como é frequente se observar nos casos da FCC e do Cebraspe;
  • No geral, as questões concentram-se em conteúdos de interpretação de texto, os quais correspondem, geralmente, a 50% da prova;
  • No que se refere às matérias gramaticais, essas irão compor, normalmente, 25% das questões totais;
  • Por fim, as questões discursivas e as provas de redação trazem um maior peso do critério de expressão, de maneira que eventuais incorreções gramaticais poderão custar muitos pontos para os candidatos.

Conteúdos de Português mais relevantes para o Instituto Consulplan

A organizadora, com exceção de uma ou outra matéria, não costuma apresentar uma regra padrão para os conteúdos de português, os quais variam de prova em prova.

Todavia, como toda preparação exige um estudo estratégico da banca e, sobretudo, das questões que têm maiores chances de aparecer nas provas, abaixo segue uma triagem das principais matérias de língua portuguesa cobradas pela banca.

Dessa forma, na prova de português do Instituto Consulplan, nota-se a seguinte estrutura:

Questões de interpretação de texto, em que se prepondera:

  • Inferência simples, nas quais se exigem dos candidatos a interpretação de trechos do texto base;
  • Vocabulário, com a apresentação de sinônimos e possibilidades de substituições;
  • Tipologia textual, nas quais deverão ser identificados os tipos do texto (narrativo, descritivo, injuntivo, etc);
  • Recursos expressivos, correspondentes aos casos de intertextualidade, emprego de ironia ou metalinguagem;
  • Tipos de linguagem, ou seja, se coloquial ou formal;
  • Figuras de linguagem.

Também podem ser cobradas, porém de forma menos recorrente, as questões de funções de linguagem e outras referentes ao título do texto.

Na matéria de gramática normativa, todo o conteúdo pode ser exigido nas provas. Assim, o candidato deverá estar de olho nas previsões do edital de modo a não ser surpreendido por aquela regra mais inusitada. Todavia, é comum que de 10% a 20% das questões sejam de um conteúdo específico. Em termos estatísticos, nota-se que:

  • São cobrados menos conteúdos de acentuação gráfica se comparados aos de ortografia;
  • Em morfologia, são recorrentes questões de pronome, conjunção e “que e se”, porém são pouco recorrentes as de verbo – vozes e tempos verbais;
  • Na matéria específica de análise sintática, os conteúdos mais recorrentes são pontuação, período composto, regência, crase e concordância.

Há poucas questões de Redação Oficial.

Provas aplicadas pela banca

  • Câmara Municipal de Belo Horizonte/MG;
  • Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu/RJ;
  • Ministério Público de Santa Catarina – MPSC;
  • Conselho Federal de Contabilidade (CFC) – Exame de Qualificação Técnica (EQT) 1/2024;
  • Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 4ª Região (CREFITO-4 MG);
  • Prefeitura Municipal de Vila Velha/ES;
  • Conselho Regional dos Representantes Comerciais no Estado do Pará – CORE/PA;
  • Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro/RJ (CRC/RJ);
  • Ministério Público da Bahia – MPBA;
  • Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Veja algumas questões comentadas do Instituto Consulplan

(Consulplan. Câmara de Belo Horizonte. Técnico Legislativo II. 2018)

Trapezista

Querida, eu juro que não era eu. Que coisa ridícula! Se você estivesse aqui – Alô? Alô? – olha, se você estivesse aqui ia ver a minha cara, inocente como o Diabo. O quê? Mas como, ironia? “Como o Diabo” é força de expressão, que diabo. Você acha que eu ia brincar numa hora desta? Alô! Eu juro, pelo que há de mais sagrado, pelo túmulo de minha mãe, pela nossa conta no banco, pela cabeça dos nossos filhos que não era eu naquela foto de carnaval no Cascalho que saiu na Folha da Manhã. O quê? Alô! Alô! Como é que eu sei qual é a foto? Mas você não acaba de dizer… Ah, você não chegou a dizer… ah, você não chegou a dizer qual era o jornal. Bom, bem. Você não vai acreditar mas acontece que eu também vi a foto. Não desliga! Eu também vi a foto e tive a mesma reação. Que sujeito parecido comigo, pensei. Podia ser gêmeo. Agora, querida, nunca, em nenhum momento, está ouvindo? Em nenhum momento me passou pela cabeça a ideia de que você fosse pensar — querida, eu estou até começando a achar graça —, que você fosse pensar que aquele era eu. Por amor de Deus. Pra começo de conversa você pode me imaginar de pareô vermelho e colar havaiano, pulando no Cascalho com uma bandida em cada braço? Não, faça-me o favor. E a cara das bandidas! Francamente, já que você não confia na minha fidelidade, que confiasse no meu bom gosto, poxa! O quê? Querida, eu não disse “pareô vermelho”. Tenho a mais absoluta, a mais tranquila, a mais inabalável certeza que eu disse apenas “pareô”. Como é que eu podia saber que era vermelho se a fotografia não era em cores, certo? Alô? Alô? Não desliga! Não… Olha, se você desligar está tudo acabado. Tudo acabado. Você não precisa nem voltar da praia. Fica aí com as crianças e funda uma colônia de pescadores. Não, estou falando sério.

Perdi a paciência. Afinal, se você não confia em mim não adianta nada a gente continuar. Um casamento deve se… se… como é mesmo a palavra?… se alicerçar na confiança mútua. O casamento é como um número de trapézio, um precisa confiar no outro até de olhos fechados. É isso mesmo. E sabe de outra coisa? Eu não precisava ficar na cidade durante o carnaval. Foi tudo mentira. Eu não tinha trabalho acumulado no escritório coisíssima nenhuma. Eu fiquei sabe para quê? Para testar você. Ficar na cidade foi como dar um salto mortal, sem rede, só para saber se você me pegaria no ar. Um teste do nosso amor. E você falhou. Você me decepcionou. Não vou nem gritar por socorro. Não, não me interrompa.

Desculpas não adiantam mais. O próximo som que você ouvir será do meu corpo se estatelando, com o baque surdo da desilusão, no duro chão da realidade. Alô? Eu disse que o próximo som… que… O quê? Você não estava ouvindo nada? Qual foi a última coisa que você ouviu, coração?

Pois sim, eu não falei — tenho certeza absoluta que não falei — em “pareô vermelho”. Sei lá que cor era o pareô daquele cretino na foto. Você precisa acreditar em mim, querida. O casamento é como um número de…

Sim. Não. Claro. Como? Não. Certo. Quando você voltar pode perguntar para o… Você quer que eu jure? De novo? Pois eu juro. Passei sábado, domingo, segunda e terça no escritório. Não vi carnaval nem pela janela. Só vim em casa tomar um banho e comer um sanduíche e vou logo voltar para lá. Como? Você telefonou para o escritório. Meu bem, é claro que a telefonista não estava trabalhando, não é, bem. Ha, ha, você é demais. Olha, querida? Alô? Sábado eu estou aí. beijo nas crianças. Socorro. Eu disse, um beijo.

(In: Veríssimo, L. F. As mentiras que os homens contam. São Paulo, Objetiva: ????.)

Analise a frase a seguir: “[…] olha, se você estivesse aqui ia ver a minha cara, inocente como o Diabo.” (1º§). Só NÃO é correto afirmar sobre o trecho que:

a) A comparação realizada causou o efeito contrário ao desejado pelo enunciador.

b) As explicações acerca do uso da expressão “como o Diabo” possuem natureza semântica oposta à sua constituição composicional.

c) O uso da forma verbal “olha”, no modo imperativo, indica um pedido do protagonista para que sua interlocutora realize a ação suscitada pelo verbo relacionado à forma verbal indicada

d) A comparação presente no trecho não surtiu o efeito desejado por o enunciador ter selecionado um sentido diferente para a expressão “como o Diabo” do entendido pela sua interlocutora.

GABARITO: LETRA C

Comentário: A letra A está correta, pois a comparação realizada gera um efeito contrário ao desejado pelo interlocutor. A intenção era, ao demonstrar sua correta atitude, safar-se de uma situação em que era julgado culpado de ter ido ao carnaval, porém “diabo” é um substantivo com campo semântico negativo ou pejorativo, de modo que reverte a intenção inicial da frase ao deixar marca de maior culpa do interlocutor. A letra B se mostra acertada pelas mesmas razões expressas na letra A. Incorreta a letra C e, por isso o gabarito da questão, pois o verbo “olha” foi empregado não como um comando no imperativo, mas como uma interjeição do interlocutor. A letra D está, por fim, correta pelas mesmas razões justificadas na letra A.

(Consulplan. Câmara de Belo Horizonte. Técnico Legislativo II. 2018) Assinale a alternativa que classifica corretamente a função da palavra destacada na frase recortada.

a) “É issomesmo.” (2º§) – pronome demonstrativo.

b) “[…] comoé mesmo a palavra?” (2º§) – pronome interrogativo.

c) “Vocêtelefonou para o escritório.” (5º§) – pronome pessoal do caso reto.

d) “Afinal, sevocê não confia em mim não adianta nada a gente continuar.” (2º§) – conjunção coordenativa.

Gabarito: Letra A

Comentário: A letra A está correta, pois a palavra “isso” é classificada morfologicamente como um pronome demonstrativo, ou seja, um termo anafórico. A letra B mostra-se incorreta, uma vez que “como” é empregado no trecho como um advérbio interrogativo. A letra C erra na classificação, dado que a forma “Você” equivale a um pronome de tratamento. A letra D, por fim, também se encontra errada porque a partícula “se” foi empregada como uma conjunção subordinativa

(Consulplan. Câmara de Belo Horizonte. Técnico Legislativo II. 2018) No decorrer do texto, tendo em vista propósitos discursivos, o autor utiliza palavras e expressões menos comuns no linguajar culto escrito da língua portuguesa. Tal uso caracteriza, no caso, uma variação de natureza

a) social.

b) histórica.

c) geográfica.

d) situacional.

Gabarito: Letra D

Comentário: O texto traz uma conversa por telefone entre marido e mulher, o que marca uma situação específica de diálogo, na qual não há, normalmente, respeito às prescrições da norma culta. Trata-se, portanto, de uma variação situacional, também chamada de variação diafásica, em que o discurso se adapta ao contexto dos interlocutores, podendo seguir parcialmente tanto o registro formal quando o informal.

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