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Tipos de Discurso. Saiba diferenciar!

Equipe Flávia Rita

Nos concursos públicos atuais, algumas bancas podem cobrar dos candidatos o conhecimento acerca dos diferentes tipos de discurso. Essa matéria é, normalmente, demandada em questões de interpretação de texto, nas quais se deve identificar o tipo de discurso. Vamos esclarecer todos os pontos acerca dos diferentes tipos de discurso, abordando suas espécies e vendo como costumam ser cobrados.
Tipos de discurso. Saiba diferenciar!
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Tipos de Discurso

 

O que são os tipos de discurso? 

Os tipos de discurso, em termos teóricos, correspondem à forma de expressar os pensamentos e as palavras de personagens. Trata-se, pois, nas palavras dos professores Lindley Cintra e Celso Cunha, dos moldes linguísticos utilizados pelo narrador. 

Por ocorrerem na representação dos pensamentos e falas de personagens, essas variações do discurso ocorrerão, mais frequentemente, em textos narrativos.

Dito isso, vamos ver cada uma das três espécies existentes:

  1. Discurso direto
  2. Discurso indireto
  3. Discurso indireto livre

 

O discurso direto

 

No discurso direto, o narrador, mediante formulações sintáticas e sinais de pontuação específicos, permite a expressão própria da personagem. Ou seja, ela fala por si mesma, sem qualquer interferência, reproduzindo o narrador suas palavras tal como seriam efetivamente ditas. Observe o seguinte exemplo, retirado da obra de Machado de Assis, “Memórias póstumas de Brás Cubas”:

Virgília replicou: 

– Promete que algum dia me fará baronesa?  

Nele, há a indicação da personagem Virgília, pela voz do narrador, a qual, após o travessão, expressa-se por si mesma. Ou seja, ela fala aquilo que teria ela própria falado. 

Na construção do discurso direto, há algumas formalidades que devem ser observadas. Primeiro, a presença de um verbo dicendi (A expressão dicendi vem do latim e significa “dizer”, ou seja, verbos que apresentam a maneira pela qual alguém se expressa), o qual introduz o discurso. São alguns exemplos desses os verbos “dizer”, “afirmar”, “ponderar”, “sugerir”, “perguntar”, “indagar”, “responder” e seus sinônimos. Entretanto, esses não são obrigatórios, de modo que, quando ausentes, deverão o contexto e o uso de recursos gráficos indicar a fala da personagem. Além disso, deve haver a indicação da fala por um sinal de pontuação específico, sendo, normalmente, empregado o travessão.

 

O discurso indireto

Diferentemente do discurso direto, no indireto, o narrador interfere na fala da personagem. Nesse caso, ele utiliza de suas próprias palavras para referenciar aquilo que seria dito por ela. 

Formalmente, as falas são também introduzidas por um verbo declarativo, como “dizer”, “afirmar”, “ponderar”, “confessar”, “responder” etc. Além disso, elas aparecem em uma oração subordinada substantiva, no geral desenvolvida, ou seja, introduzida por uma conjunção integrante. Observe o exemplo retirado da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis:

  • Capitu segredou-me que a escrava desconfiara, e ia talvez contar às outras. Novamente me intimou que ficasse, e retirou-se; eu deixei-me estar parado, pregado, agarrado ao chão.

Veja que as falas de Capitu são precedidas da conjunção integrante “que”. Essa, contudo, pode também ser suprimida, sem prejuízo à espécie discursiva. Confira o texto de Amoroso Lima: 

  • Foi nesse sertão primitivo e rude que Arinos me contou ter sentido talvez a maior, a mais pura das sensações de arte.

No trecho supratranscrito, a fala do personagem Arinos é iniciada sem o apoio da conjunção integrante. Ou seja, ela ocorre mediante uma oração reduzida de infinitivo, o que não altera o sentido ou a clareza. 

 

O discurso indireto livre

No discurso indireto livre, ocorre a mistura de elementos do discurso direto e do discurso indireto. Aqui, o narrador assume, em meio a sua própria fala, um sentimento ou pensamento da personagem, incorporando-a na narrativa. Observe:

Maria estava exausta das aulas. Sabia que precisava trabalhar em algumas horas. Meu deus, já são 9 horas? Já era para estar na escola!

Observe que as falas de Maria se misturam livremente dentro da narração do autor.

 

A transposição do discurso direto para o indireto

Na exposição das falas das personagens, é possível realizar uma transposição da espécie discursiva. Assim, é possível mudar o discurso direto para o indireto ou vice-versa. Para isso, é necessário realizar alguns ajustes sintáticos para se acomodar ao novo modelo.

Nesse sentido, ao transpor o discurso direto para o indireto, deve-se:

suprimir o travessão ou o sinal de pontuação usado para marcar a fala da personagem;
alterar o enunciado da 1ª pessoa, no discurso direto, para a 3ª, no discurso indireto.

Observe:

Discurso direto:
Maria disse:
– Já terminei minhas tarefas.

Discurso indireto
Maria disse que ela já havia terminado suas tarefas.

  • além da mudança na pessoa verbal, deve ser empregado um verbo declarativo acompanhado da conjunção integrante “que”, sempre que não se optar pelo formato reduzido;
  • ajustar o tempo verbal, uma vez que a ação sempre será realizada, no discurso indireto, em um tempo anterior. Assim:

 

1 – Quando os verbos, no discurso direto, estiverem no presente do indicativo, eles irão, no indireto, para o pretérito imperfeito do indicativo.

(DD) Marcos disse:
– Não tenho fome.

(DI) Marcos disse que não tinha fome.

2 – Quando se encontrarem, no discurso direto, no pretérito perfeito do indicativo, deverá ser flexionado para o pretérito mais-que-perfeito do indicativo no discurso indireto.

(DD) Marcos disse:
– Perdi meu apetite.

(DI) Marcos disse que perdera seu apetite.

3 – Quando o verbo estiver no futuro do presente do indicativo, no discurso direto, no indireto, será flexionado para o futuro do pretérito do indicativo.

(DD) Marcos disse:
– Irei à escola amanhã.

(DI) Marcos disse que iria à escola amanhã.

4 – Caso, no discurso direto, o verbo esteja no imperativo, no indireto, ele passará para o pretérito imperfeito do subjuntivo

(DD) Marcos disse:
– Façam logo o que eu pedi.

(DI) Marcos gritou para que fizessem logo o que ele pedira.

 

Ajustes temporais e espaciais na mudança de discurso

Além dos ajustes no tempo verbal e nos elementos de coesão oracional, é necessário, na mudança de discurso, alterar algumas informações temporais e espaciais.

Por exemplo, advérbios de tempo devem ser ajustados para o período anterior. Assim, formas, como “ontem”, passa a ser, no discurso indireto, “anteontem” ou “no dia anterior”. Já em modalizadores locativos, haverá o ajuste para uma distância maior. Por exemplo, “aqui”, “aí” e “cá” passarão a ser “ali” e “lá”.

Por fim, devem-se ajustar também os pronomes demonstrativos, os quais também passarão, do discurso direto ao indireto, para formas mais distantes. Assim, “este”, “esta” ou “isto” serão alterados para “aquele”, “aquela” ou “aquilo”.

 

Tipos de discurso na FCC

Quando se analisa como a banca FCC cobra tipos de discurso, percebe-se que as questões se concentram na transposição. Confira, com base nas questões selecionadas, como a matéria aparece em provas da banca:

Questão 01. (FCC, TRT 23ª Região, TJAA, 2022) o menino disse que queria passar para as / palavras suas peraltagens” (versos 31 e 32)

Transposto para o discurso direto, o trecho acima assume a seguinte redação: O menino disse: 

A− Quero passar suas peraltagens para as palavras. 

B− Quisera passar minhas peraltagens para as palavras. 

C− Quero passar minhas peraltagens para as palavras.

D− Quis passar minhas peraltagens para as palavras.

 

Gab.: D

 

Questão 02. (FCC, TRT 22ª Região, AJOJA, 2022) Lembram-se da história de Tristão e Isolda?

Transposto para o discurso indireto, o trecho acima assume a seguinte redação:

A — Ele pergunta se se lembraram da história de Tristão e Isolda. 

B — Ele perguntou: vocês se lembram da história de Tristão e Isolda?

C — Ele perguntou se nós nos lembrávamos da história de Tristão e Isolda.

D — Ele perguntou-nos se acaso lembráramos da história de Tristão e Isolda.

E — Ele pergunta a vocês se lembram da história de Tristão e Isolda. 

 

Gab.: C

 

Tipos de discurso na FGV

No caso da FGV, observa-se também a maior cobrança da transposição dos discursos. Contudo, diferentemente da FCC, há uma maior incidência de questões demandando análise do discurso indireto livre. Confira o modelo padrão de questões sobre a matéria: 

 

Questão 01. (FGV, SEJUSP/MG, Agente de segurança penitenciária, 2022) “Qual é a verdadeira extensão da vida humana?” é um exemplo de frase em discurso direto que, se colocada em discurso indireto, deveria estar reescrita do seguinte modo: “Ele perguntou qual era a verdadeira extensão da vida humana”. Assinale a pergunta a seguir que está corretamente reescrita em discurso indireto.

 

A — Qual é o seu nome? / Ele perguntou qual era o nome dela.

B — Onde Pedro foi ontem? / Ele perguntou aonde Pedro ia ontem.

C — Bernardo chegará amanhã? / Ele perguntou se Bernardo chegava amanhã. 

D — Eles foram ontem ao cinema? / Ele perguntou se eles vão ontem ao cinema.

E — Qual o preço pago pelo livro? / Ele perguntou qual seria o preço pago pelo livro. 

 

Gab.: A

 

Questão 02. (FGV, MPE/SC, Analista de Contabilidade, 2022) Observe o seguinte segmento textual: 


“Ele abriu e fechou várias vezes o grosso livro, cada uma dessas vezes acompanhada de um palavrão. Finalmente ele se recompôs, releu o parágrafo a consertar, gemeu. Bom, tudo bem, vamos lá! – Vamos lá, falou em voz alta. Levantou-se e saiu da sala”.
Nesse segmento de texto, o trecho que exemplifica o discurso indireto livre, é:

 

A — Ele abriu e fechou várias vezes o grosso livro;

B- …cada uma dessas vezes acompanhada de um palavrão;

C — Bom, tudo bem, vamos lá!

D — Vamos lá, falou em voz alta;

E — Levantou-se e saiu da sala.

 

Gab.: C

 

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