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Olá concurseiro ou amante da língua portuguesa! Pensando na prova do TCE-MG que vem aí, organizamos dez questões comentadas da banca CEBRASPE, antiga CESPE/UNB, a fim de que você possa treinar suas habilidades para a prova! A banca é conhecida pela sua forte ênfase em interpretação de texto e uma dificuldade média para alta em suas questões. Apesar de ser conhecida pelas questões de certo e errado, também traz questões de múltipla escolha.
Na parte de interpretação de texto, a banca costuma cobrar questões de inferência, isto é, compreender informações a partir da leitura do texto, além de questões acerca da ideia central, tipologia e vocabulário.
Já na parte de gramática, é comum cair o uso de pontuação, conectores, crase, concordância, regência, colocação pronominal, tipos de se, tipos de que, classificação de palavras e funções sintáticas.
Aprofunde seu conhecimento das questões que estudaremos com esta aula da Professora:
Texto de apoio
Já se descobriu, há muito tempo, que os prazeres podem ser divididos em dois tipos: aqueles que não seriam prazeres propriamente ditos, a não ser que sejam precedidos pelo desejo; e aqueles que são prazeres em si e dispensam qualquer preparação. Podemos denominar esses dois tipos, respectivamente, de prazeres-necessidade e prazeres de apreciação.
Um exemplo do primeiro tipo seria um gole de água. Isso seria considerado um prazer se você estivesse com sede, e um grande prazer se estivesse sedento. Contudo, é bem provável que não haja ninguém no mundo, exceto em obediência à sede ou às ordens do médico, que tenha enchido um copo de água para beber apenas pelo prazer que isso lhe dá. Um exemplo do segundo tipo seriam os prazeres inesperados e surpreendentes do olfato — o suave aroma de campos floridos ou de plantações de ervilhas que surgem em sua caminhada matinal pelo campo. Antes disso, você não tinha necessidade de nada: estava completamente satisfeito. O prazer desses perfumes não foi solicitado; pelo contrário, foi uma dádiva adicional.
A pessoa que estava sedenta e acabou de beber uma grande quantidade de água poderá dizer: “poxa vida, era isso o que eu queria”. A pessoa que passa pela plantação de ervilhas em sua caminhada matinal está mais propensa a dizer: “este perfume é maravilhoso”. Após o primeiro gole de um famoso vinho tinto, o especialista poderá dizer: “este é um grande vinho”. Quando prazeres-necessidade estão em evidência, tendemos a fazer afirmações a respeito de nós mesmos no tempo passado; quando prazeres de apreciação estão em evidência, inclinamo-nos a fazer afirmações sobre o objeto no tempo presente. Os mais inocentes e necessários prazeres-necessidade não são odiados depois de nós os termos, mas certamente “morrem em nós” de forma extraordinariamente abrupta e completa. A torneira da pia e o copo cheio são mesmo muito atraentes quando entramos em casa com sede depois de cortar a grama do jardim; entretanto, seis segundos depois, se tornam vazios de qualquer interesse.
Os prazeres de apreciação são muito diferentes. Fazem-nos sentir que algo não apenas satisfez nossos sentidos, mas reivindica nossa apreciação por direito. O especialista em vinhos não aprecia seu vinho tinto da mesma forma com que teria ficado satisfeito em esquentar seus pés se estivessem frios. Ele sente que aqui está um vinho que merece toda a sua atenção; que justifica todos os anos de treinamento que fizeram seu paladar se tornar apto para julgá-lo. Há, inclusive, uma pitada de desprendimento em sua atitude. Ele deseja que o vinho seja preservado e mantido em boa condição, não inteiramente por razões pessoais. Mesmo se ele estivesse em seu leito de morte e nunca mais fosse beber vinho de novo, ficaria horrorizado com a ideia de que esse vinho especial fosse derramado ou estragado, ou mesmo bebido por pessoas não sofisticadas (como eu), incapazes de saber a diferença entre um bom e um mau vinho tinto. Assim acontece também com a pessoa que passa pela plantação de ervilhas. Essa pessoa não apenas aprecia como também sente que aquela fragrância, de alguma forma, merece ser apreciada. Iria culpar-se caso passasse pelo campo sem dar atenção ou sem se contentar. Isso seria estúpido, insensível. Essa pessoa se lamentará quando ouvir que aquele jardim, pelo qual passou um dia em sua caminhada, foi agora engolido por cinemas, por garagens e por um novo viaduto.
Do ponto de vista científico, ambos os prazeres são, sem dúvida, relativos aos nossos organismos. No entanto, os prazeres-necessidade anunciam, de uma forma ruidosa, sua relatividade não apenas à nossa constituição humana, mas à sua condição passageira, e, fora desta relação, não possuem significado ou interesse para nós. Os objetos que produzem prazeres de apreciação oferecem o sentimento — irracional ou não — de que devem, de algum modo, receber atenção, ser degustados e louvados. Contudo, jamais deveríamos sentir algo parecido com relação a um prazer-necessidade: nunca deveríamos nos culpar, ou culpar os outros, por não sentir sede e, portanto, passar por um poço sem beber um gole de água.
Questão 1
O objetivo principal do texto é:
Alternativas:
- (A) apresentar argumentos científicos que respaldem a distinção entre prazeres-necessidade e prazeres de apreciação.
- (B) contrapor opiniões filosóficas distintas a respeito de dois tipos de prazer que afetam o organismo humano.
- (C) discorrer sobre a diferença entre prazeres-necessidade e prazeres de apreciação, a qual é introduzida já no primeiro parágrafo.
- (D) relatar experiências pessoais do autor que o levaram a distinguir prazeres-necessidade de prazeres de apreciação.
- (E) situar historicamente a divisão entre dois tipos de prazer, a qual é ilustrada por uma série de exemplos.
Resposta: C
Comentário
Em A, o item está errado, pois o texto não apresenta a ciência como foco principal. A menção “do ponto de vista científico” aparece apenas no último parágrafo, com função acessória, e não estrutura a argumentação nem orienta o objetivo do autor. Como não há base científica desenvolvida, a alternativa não corresponde ao propósito do texto. Já em B, o item está errado porque o texto não contrapõe opiniões filosóficas nem apresenta posições divergentes. A construção é inteiramente expositiva, centrada na explicação dos prazeres-necessidade e dos prazeres de apreciação, sem diálogo entre correntes distintas ou confronto de ideias. Na alternativa C, apontada como correta pela banca, tem-se que o objetivo do texto é, de fato, explicar a diferença entre os dois tipos de prazer. Essa distinção é introduzida já no primeiro parágrafo e é desenvolvida ao longo de todo o texto por meio de definições, exemplos e comparações, o que confirma que a finalidade principal é esclarecer essa diferenciação conceitual. Em D, o item está errado, pois, embora o autor utilize exemplos (água, ervilhas, vinho), tais exemplos não configuram relatos pessoais. São situações gerais, ilustrativas e impessoais, empregadas apenas para demonstrar características dos prazeres discutidos. Não há qualquer elemento autobiográfico. Por fim, em E, o item está errado, uma vez que o texto não apresenta enquadramento histórico nem evolução temporal da ideia. Não se menciona época, contexto histórico ou origem da classificação. A abordagem é conceitual e analítica, e não histórica, o que invalida a proposição
Questão 2
De acordo com o texto, a tendência de se empregar o tempo passado quando prazeres-necessidade estão em evidência, como em ‘poxa vida, era isso o que eu queria’ (primeiro período do terceiro parágrafo), revela que esses prazeres
Alternativas:
- (A) saciam desejos irreais engendrados pelo indivíduo.
- (B) acontecem em ocasiões que não podem ser repetidas.
- (C)marcam profundamente a pessoa que os experimenta.
- (D)infundem na memória sensações não desejadas.
- (E)desaparecem, súbita e totalmente, depois de satisfeitos.
Resposta: E
Comentário
Em A, o item está errado, pois o texto não sugere que os prazeres-necessidade saciem desejos irreais; ao contrário, trata-se de prazeres diretamente vinculados a necessidades fisiológicas reais, como sede e fome. Já em B, o item está errado porque o texto não afirma que esses prazeres aconteçam em ocasiões irrepetíveis; o foco é que eles se esgotam logo após serem satisfeitos, não que sejam eventos únicos. Na alternativa C, considerada incorreta, o erro está em atribuir aos prazeres-necessidade um impacto profundo na memória do indivíduo, quando o texto reforça justamente o oposto: tais prazeres “morrem em nós” de forma rápida e completa, sem deixar marca duradoura. Em D, o item está errado porque o texto não menciona que esses prazeres infundem sensações indesejadas; a característica destacada é a transitoriedade, e não qualquer aspecto desagradável. Por fim, na alternativa E, apontada como correta pela banca, tem-se que o emprego do tempo passado está relacionado ao fato de que esses prazeres desaparecem súbita e totalmente após serem satisfeitos, conforme o texto explica ao afirmar que eles “morrem em nós” de modo abrupto — exatamente o sentido descrito na alternativa.
Questão 3
No quarto parágrafo do texto CG2A1, o autor caracteriza como “estúpido, insensível” (penúltimo período)
Alternativas:
- (A) o sentimento de culpa que pode surgir em alguém ao passar pelo campo.
- (B) a possibilidade de um jardim ser substituído por novas construções.
- (C) o horror que alguém pode manifestar quanto ao aroma de ervilhas.
- (D) o ato de ignorar uma plantação de ervilhas e seu cheiro ao se passar por ela.
- (E) o arrependimento de não se contentar diante de uma plantação de ervilhas.
Resposta: D
Comentário
Em A, o item está errado, pois o texto não caracteriza como “estúpido, insensível” o sentimento de culpa de alguém ao passar pelo campo; ao contrário, o autor afirma que a pessoa se culparia por não apreciar a fragrância, o que é diferente da avaliação negativa feita no trecho destacado. Já em B, o item está errado porque a substituição do jardim por construções é mencionada como causa de lamentação, mas não é qualificada como ato “estúpido, insensível”; essa expressão refere-se ao comportamento humano, não às mudanças urbanas. Na alternativa C, o item também está errado, pois o autor não atribui qualquer repulsa ao aroma das ervilhas, tampouco relaciona o adjetivo a manifestações negativas diante do cheiro; pelo contrário, o texto valoriza o prazer inesperado da fragrância. Em D, apontada como correta pela banca, tem-se que o autor considera “estúpido, insensível” justamente o ato de ignorar a fragrância da plantação de ervilhas ao passar por ela — comportamento que representa uma falha de apreciação diante de um prazer gratuito e não solicitado, conforme explicado no parágrafo. Por fim, em E, o item está errado, porque o arrependimento de não se contentar diante da plantação não é o foco da crítica; o texto dirige o juízo negativo ao desinteresse, à indiferença e não ao arrependimento posterior.
Questão 4
Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita para o seguinte trecho do texto: “Contudo, é bem provável que não haja ninguém no mundo, exceto em obediência à sede ou às ordens do médico, que tenha enchido um copo de água para beber apenas pelo prazer que isso lhe dá.” (terceiro período do segundo parágrafo). Assinale a opção em que a proposta apresentada mantém a correção gramatical e os sentidos do texto.
Alternativas:
- (A) Contudo, é bem provável que não exista ninguém no mundo, exceto em obediência a sede ou as ordens do médico, que tenha enchido um copo de água apenas para beber, pelo prazer que isso lhe dá.
- (B) Contudo, é bem provável que não haja ninguém no mundo, a não ser em obediência à sede ou às ordens do médico, que tenha enchido apenas um copo de água para beber pelo prazer que isso lhe dá.
- (C) Contudo, é bem provável que não tenha ninguém no mundo onde, exceto em obediência à sede ou às ordens do médico, enchera um copo de água para beber apenas pelo prazer que lhe dá isso.
- (D) É bem provável, contudo, que não haja ninguém no mundo, salvo em obediência à sede ou por ordens do médico que tenha enchido um copo de água para beber apenas pelo prazer que isso lhe dá.
- (E) É bem provável, contudo, que não haja ninguém no mundo, senão por obediência à sede ou às ordens médicas, que tenha enchido um copo de água para beber apenas pelo prazer que isso lhe dá.
Resposta: E
Comentário
Em A, o item está errado, pois a construção “a sede ou as ordens do médico” apresenta erro de regência, já que o correto seria “à sede ou às ordens”, além de a alteração da ordem dos termos produzir sentido diverso do original (“apenas para beber” modifica inadequadamente o enunciado). Já em B, o item está errado porque a frase gerada altera o sentido ao destacar que o indivíduo teria enchido “apenas um copo de água”, o que não está no texto, além de comprometer a naturalidade da construção. Na alternativa C, o item está errado por vários motivos: há erro de concordância (“tenha ninguém… enchera”), o verbo ter é usado com sentido de haver e perda completa do sentido original. Em D, o item está errado porque falta uma vírgula obrigatória após “médico”, gerando problema de clareza e de segmentação do período, além de interferir no paralelismo da expressão “em obediência à sede ou às ordens do médico”. Por fim, em E, apontada como correta pela banca, tem-se que a reescrita mantém a correção gramatical, preserva a regência adequada (“por obediência à sede ou às ordens médicas”) e conserva integralmente os sentidos do texto original, sem inserir novas ideias ou modificar relações entre os termos — razão pela qual é a opção correta.
Questão 5
No primeiro período do texto, o sinal de dois-pontos introduz, a respeito da oração que o antecede,
Alternativas:
- (A)um esclarecimento.
- (B) uma exemplificação.
- (C) uma citação.
- (D) uma consequência.
- (E) uma conclusão.
Resposta: A
Comentário
Em A, o item está correto, pois os dois-pontos introduzem um esclarecimento, indicando quais são os dois tipos de prazeres citados. Já em B, o item está errado, pois o sinal de dois-pontos não introduz uma exemplificação, visto que o período que se segue apresenta os dois tipos de prazer, indicando-os como suficientes para explicar os dois tipos de prazer e não como exemplos. Na alternativa C, o item está errado porque não há citação literal ou referência a falas de terceiros; o texto apenas desenvolve uma explicação conceitual. Em D, o item está errado, pois os dois-pontos não introduzem consequência, mas os elementos que concretizam a divisão anunciada. Por fim, em E, o item está errado, uma vez que o trecho posterior não apresenta conclusão, mas sim uma explicação sobre os dois tipos de prazer — exatamente o que caracteriza o esclarecimento.
Questão 6
No trecho “Já se descobriu, há muito tempo, que os prazeres podem ser divididos em dois tipos” (primeiro período do texto), o vocábulo “se”
Alternativas:
- (A) revela que a primeira oração do trecho não tem sujeito gramatical.
- (B) indica que a primeira oração do trecho está na voz passiva.
- (C) exprime ideia de reflexividade na oração em que se insere.
- (D) tem valor condicional na oração em que se insere.
- (E) funciona como sujeito da forma verbal “descobriu”.
Resposta: B
Comentário
Em A, o item está errado, pois o trecho não apresenta oração sem sujeito; na verdade, o verbo “descobriu” possui sujeito paciente, próprio da voz passiva sintética, o que não corresponde à classificação proposta pela alternativa. Já em B, apontada como correta pela banca, tem-se que o vocábulo “se” funciona como partícula apassivadora, produzindo a chamada voz passiva sintética, exatamente como indicado pela análise gramatical do período. Na alternativa C, o item está errado porque o pronome “se” não exprime reflexividade — não há ação do sujeito voltada para si próprio. Em D, o item está errado porque o “se” empregado não tem valor condicional; não há relação hipotética no enunciado. Por fim, em E, o item está errado porque o “se” não exerce função de sujeito do verbo “descobriu”; trata-se, como já explicado, de uma partícula apassivadora.
Questão 7
No segundo parágrafo do texto, pertencem à mesma classe de palavras os vocábulos
Alternativas:
- (A) “sede” e “sedento” (segundo período).
- (B) “bem” e “ninguém” (terceiro período).
- (C) “prazeres” e “surpreendentes” (quarto período).
- (D) “suave” e “matinal” (quarto período).
- (E) “necessidade” e “satisfeito” (quinto período).
Resposta: D
Comentário
Em A, o item está errado, pois “sede” é substantivo, enquanto “sedento” é adjetivo; portanto, as palavras não pertencem à mesma classe gramatical. Já em B, o item está errado porque, embora ambas terminem em “-em”, “bem” é advérbio e “ninguém” é pronome indefinido, logo, classes distintas. Na alternativa C, o item está errado porque “prazeres” é substantivo, ao passo que “surpreendentes” é adjetivo que o caracteriza, não havendo coincidência de classe. Em D, apontada como correta pela banca, verifica-se que “suave” e “matinal” são ambos adjetivos, qualificando o mesmo substantivo (“aroma”), o que confirma a pertinência da opção. Por fim, em E, o item está errado porque “necessidade” é substantivo, enquanto “satisfeito” é adjetivo, portanto, classes distintas.
Questão 8
No quarto parágrafo do texto, a palavra “desprendimento” (quinto período) está empregada com o mesmo sentido de
Alternativas:
- (A) repulsa.
- (B) ganância.
- (C) abnegação.
- (D) perenidade.
- (E) desalinhamento.
Resposta: C
Comentário
Em A, o item está errado, pois “repulsa” expressa rejeição ou aversão, sentido que não se relaciona ao comportamento descrito pelo autor; o contexto não sugere qualquer movimento de rejeição, mas sim uma atitude valorizadora. Já em B, o item está errado porque “ganância” indica desejo excessivo de possuir algo, o que contraria totalmente o sentido de desprendimento, que implica afastamento de interesses pessoais. Na alternativa C, apontada como correta pela banca, verifica-se que “abnegação” corresponde ao sentido empregado no texto, pois indica capacidade de renunciar a interesses próprios — exatamente o que ocorre quando o especialista deseja que o vinho seja preservado por mérito do objeto, não por benefício pessoal. Em D, o item está errado porque “perenidade” remete à ideia de duração prolongada, o que não guarda relação de sentido com “desprendimento”. Por fim, em E, o item está errado, uma vez que “desalinhamento” sugere falta de concordância ou afastamento de um padrão, sentido que não se aproxima da ideia de renúncia pessoal presente no trecho analisado.
Questão 9
No quarto parágrafo do texto CG2A1, a forma pronominal “lo”, em “julgá-lo” (quarto período), retoma
Alternativas:
- (A) “direito” (segundo período).
- (B) “especialista” (terceiro período).
- (C) “vinho” (quarto período).
- (D) “treinamento” (quarto período).
- (E) “paladar” (quarto período).
Resposta: C
Comentário
Em A, o item está errado, pois o pronome “lo”, em “julgá-lo”, não retoma “direito”; esse termo não representa o objeto direto da ação de julgar no contexto apresentado. Já em B, o item está errado porque “especialista” não pode ser o referente do pronome, uma vez que é o sujeito da ação de julgar, e não seu objeto. Na alternativa C, apontada como correta pela banca, verifica-se que o pronome “lo” retoma “vinho”, que é justamente o objeto avaliado e julgado pelo especialista no trecho. Em D, o item está errado porque “treinamento” não é aquilo que se julga; ele serve apenas para descrever o processo de aprimoramento do paladar. Por fim, em E, o item está errado, uma vez que “paladar” também não pode ser o referente do pronome, pois não é o objeto da ação de julgar, mas sim o instrumento que permite ao especialista avaliá-lo.
Questão 10
Com relação à pontuação empregada no último parágrafo do texto, é correto afirmar que seriam mantidos os sentidos e a correção gramatical do texto caso
Alternativas:
- (A) a vírgula empregada logo após “anunciam” (segundo período) fosse suprimida.
- (B) os travessões empregados no terceiro período fossem substituídos por vírgulas.
- (C) as vírgulas que isolam o vocábulo “portanto” (último período) fossem eliminadas.
- (D) os travessões empregados no terceiro período fossem substituídos por reticências.
- (E) a vírgula empregada logo após “outros” (último período) fosse suprimida.
Resposta: B
Comentário
Em A, o item está errado, pois a vírgula após “anunciam” não pode ser suprimida: ela separa corretamente a oração subordinada adjetiva explicativa, cuja retirada comprometeria a clareza sintática do período. Já em B, o item está correto, porque, apesar de haver perda na força de expressão, a estrutura da frase seguiria sem prejuízo gramatical ou de sentido. Na alternativa C, o item está errado, visto que as vírgulas que isolam “portanto” são obrigatórias por se tratar de conjunção conclusiva deslocada, cuja pontuação garante a fluidez e a precisão sintática do período. Em D, o item está errado porque a substituição dos travessões por reticências não preservaria a função dos travessões — responsáveis por isolar e enfatizar uma explicação — além de produzir sentido de suspensão inadequado ao contexto. Por fim, a alternativa E está incorreta. Porque a vírgula que sucede “outros” faz um par de vírgulas com a que antecede “ou”, portanto é essencial.
Conclusão
Essas foram as questões do CEBRASPE, esperamos que muito tenham ajudado na sua caminhada para a aprovação!
Não deixe de conferir nosso último post com questões de português do instituto AOCP: INSTITUTO AOCP: 10 questões comentadas – Blog Flávia Rita




