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Usos dos porquês – porque, por que, por quê e porquê

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por: Equipe Flávia Rita

Comum em diversas provas objetivas e razão para a penalização nas provas discursivas, o correto emprego das formas “porque”, “por que”, “por quê” e “porquê” causa ainda muitas dúvidas entre os candidatos. Vamos entender aqui as diferentes classes morfológicas assumitas pela partícula, assim como aprenser a utilizá-la corretamente em seus textos!

Emprego do porque

O correto emprego do “porque” é um dos assuntos que mais geram dúvidas nos estudantes. Em razão das diversas classes que esse vocábulo assume e dos diferentes usos que possui, muitas pessoas acabam por utilizá-lo incorretamente.

Primeiramente, cabe esclarecer que existem quatro formas possíveis de utilização:

  • Por que
  • Porque
  • Porquê
  • Por quê

Pode parecer um certo preciosismo serem elas diferenciadas apenas pela grafia junta ou pelo acento circunflexo, mas aqui vamos entender que as regras para cada uso são claras e lógicas.

#1 Quando se deve usar por que

O “por que”, escrito separado e sem acento, é pode ser empregado tanto como um advérbio interrogativo quanto como uma locução pronominal.

“Por que” como advérbio interrogativo

Como advérbio interrogativo, o “por que” é empregado em perguntas diretas ou indiretas, desde que não venha ao fim da frase ou seja seguido de sinal de pontuação. Por exemplo:

  • Por que ela falou aqui para o seu amigo?
  • Por que eu não posso ir à festa da Natália?

“Por que” como locução pronominal

Como locução pronominal, o “por que” separado é utilizado como um pronome relativo que estabelece elo entre duas orações, sendo equivalente, por isso, às formas “pela qual”, “pelo qua”, “pelas quais” e “pelos quais”.  São exemplos:

  • Eu contei a ele o caminho por que passei.
  • Os motivos por que terminei o namoro não dizem respeito a ninguém.

 #2 Quando de deve usar porque

 O “porque”, escrito junto e sem acento circunflexo, deve ser empregado em respostas e em explicações.

Morfologicamente, é classificado como uma conjunção explicativa, equivalente a “pois”, “visto que”, “uma vez que” etc. Sua função, portanto, é unir orações a partir de uma relação de causa e efeito. Por exemplo:

  • Sócrates morreu porque tomou cicuta.
  • Ana Maria queimou o arroz porque saiu de perto do fogão.
  • Não fui à escola porque estava doente.

#3 Quando de deve usar porquê

 O “porquê”, grafado junto, mas com acento circunflexo na última sílaba, é empregado para indicar motivo, a causa ou a razão de algo.

Ao contrário das demais formas, classifica-se, morfologicamente, como um substantivo, de maneira que admite a forma plural. Além disso, vem acompanhado, geralmente, de artigo definido ou indefinido.

São exemplos do seu emprego:

  • Marta não parava de rir, mas não quis me dizer o porquê.
  • Luíza foi despedida sem justa causa sem conhecer os porquês da decisão.
  • Mauro não cansava de explicar os porquês de ter brigado com Ana.

 #4 Quando de deve usar por quê

 O “por quê”, grafado separadamente e com acento circunflexo na última sílaba, será sempre um advérbio interrogativo, empregado ao fim da frase, ou antes de um sinal de pontuação. Por exemplo:

  • Márcio está nervoso? Por quê?
  • Mariana, ela não gostou disso, por quê?

Revisão esquematizada do uso dos porquês

Tipos Classe Características Exemplificando
Porque Conjunção (=pois) Une oração estabelecendo relação de causa e efeito. O homem é mal porque a sociedade é má.
Porquê Substantivo (=motivo) Admite plural, aceita determinante. Em geral vem precedido de artigo. Não disse o porquê de tanta discussão.
Por que Advérbio interrogativo

 

Perguntas diretas (?) ou indiretas (.).

 

Quero saber por que ele voltou.

 

Por que ele voltou?

Locução pronominal Pela qual, pelo qual, pelos quais e pelas quais. Esta é a causa por que luto.
Por quê Advérbio interrogativo Usado no fim de frase. Ele voltou por quê?

QUESTÕES COMENTADAS DE BANCAS VARIADAS

Questão 01 (FCC. IAPEN-AP. Educador Social Penitenciário. 2018)

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aprovada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas em 1948. Com a Declaração, estabeleceu-se que a humanidade compartilha de alguns valores comuns, considerados fundamento, inspiração e orientação no processo de desenvolvimento da comunidade internacional, compreendida não apenas como uma comunidade constituída por Estados-nação independentes, mas também de indivíduos livres e iguais.

      A Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma resposta à intolerância étnica e racial verificada durante a Segunda Guerra Mundial. O holocausto, os campos de concentração, a morte de milhares de seres humanos, a maior parte judeus – além de comunistas, homossexuais e todos aqueles que se opunham à marcha dos regimes autoritários europeus – constituem desdobramentos dramáticos dessa intolerância. Para entender por que os direitos humanos se converteram em bandeira de luta, é preciso entender os acontecimentos da Segunda Guerra.

      A afirmação dos direitos humanos é ao mesmo tempo universal e positiva. Universal porque alcança todos os homens, independentemente de raça, cor, credo religioso, classe, gênero, nacionalidade ou qualquer outra sorte de clivagem econômica, política, social ou cultural. Positiva porque coloca em movimento um conjunto de preceitos que visam proteger os direitos humanos. Agora, não se trata apenas de proclamar princípios e atribuir-lhes fundamento teórico. Trata-se, antes de tudo, de assegurá-los mediante a criação de leis, normas e regulamentos, seja no âmbito de um Estado nacional, seja no âmbito de convenções internacionais.

      Os direitos humanos não constituem uma agenda com fim determinado. À medida que as sociedades humanas se transformam, e se tornam mais complexas as relações sociais, novos direitos vão sendo criados. Isso significa que as lutas em torno das conquistas desses direitos são contínuas, visando vigiar o rigoroso cumprimento dos acordos e das leis.

(Adaptado de: ADORNO, Sérgio. “Os Primeiros 50 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU”. Disponível em: nevusp.org)

 

… para entender por que os direitos humanos se converteram em bandeira de luta… (2° parágrafo)

Sem prejuízo da correção e do sentido, o segmento sublinhado acima pode ser substituído por:

a) o motivo nos quais

b) a razão pela qual

c) a maneira à qual

d) por cuja forma

e) cujos os motivos

Gabarito: Letra B

Comentário: O segmento sublinhado é um “por que” empregado como locução pronominal, equivalente a “pela qual”, “pelo qual”, e que expressa sentido de “por qual motivo”, “por qual razão”. Assim, poderá ser corretamente substituído pela expressão “a razão pela qual”, constante na letra B.

Questão 02 (FUNDATEC. Prefeitura de Sapucaia do Sul. Especialista em educação. 2018)

Texto 2

No segundo quadrinho, na oração “porque não sei jogar bola”, tem-se uma conjunção _________________, que poderia ser substituída por ___________, desde que ___________ alterações no período.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

a) explicativa – pois – se façam

b) explicativa – pois – não se façam

c) explicativa – por conseguinte – não se façam

d) conclusiva – por conseguinte – não se façam

e) conclusiva – pois – se façam

Gabarito: Letra B

Comentário: O “porque” empregado no segundo quadrinho tem função explicativa e, portanto, poderá ser substituído pela conjunção “pois”, sendo desnecessária qualquer alteração no período.

Questão 03 (Cespe. MPC-PA. 2019. ADAPTADA)  Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita para o seguinte trecho: “Qual é o motivo de a sustentabilidade ser tão importante para a economia?”

Assinale a opção em que a proposta indicada mantém os sentidos e a correção gramatical do texto.

a) Porque a sustentabilidade é tão importante para a economia?

b) Por quê a sustentabilidade é tão importante para a economia?

c) Porquê a sustentabilidade é tão importante para a economia?

d) Por que a sustentabilidade é tão importante para a economia?

e) Pra quê a sustentabilidade é tão importante para a economia?

Gabarito: Letra D.

Comentário: Como se trata de uma pergunta, deve ser utilizado o “por que” advérbio interrogativo. Além disso, como não se encontra no fim da frase e nem é seguido de sinal de pontuação, a locução não receberá acento circunflexo. Portanto, correta a letra D.

Questão 04 (FGV. AL-RO. Analista Legislativo. 2018) Assinale a frase em que a forma sublinhada está corretamente grafada.

a) “Sabe-se lá por quê, quando faço a barba no banho, se tento cantarolar um motivo breve e atual, me corto.”

b) “Marido e mulher amavam os hóspedes, porquêsem eles acabavam brigando.”

c) “Por queamou muito, Madalena teve seus pecados perdoados.”

d) “Eis os crimes porqueos homens devem ser punidos por Deus.”

e) “Às vezes somos castigados sem saber porquê.”

Gabarito: Letra A.

Comentário: Correta a letra A, uma vez que emprega corretamente o “por quê” como locução pronominal que expressa sentido de “por qual razão” ou “por qual motivo”. A letra B está errada, pois não será caso de “porquê” substantivo, mas, sim, de “porque” conjunção explicativa. A letra C está errada, uma vez que deveria ter sido empregado o “porque” conjunção explicativa, o qual é grafado junto. A letra D está errado, dado se tratar de caso de “por que” locução pronominal, o qual deveria ser grafado separadamente. A letra E está errada, pois a forma substantivada deveria estar acompanhada de um artigo definido.

 


Ficou claro o assunto? Conseguiu entender os diferentes usos dos porquês presentes na Língua Portuguesa? Se ficou alguma dúvida, deixe nos comentários! Caso queira ler sobre algum tema em específico aqui, você pode também pedir na seção dos comentários 🙂

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