/Vícios de Linguagem: 5 Questões Comentadas


Como as bancas cobram a matéria vício de linguagem

Vícios de Linguagem: 5 Questões Comentadas

65

por: Equipe Flávia Rita

Como muita gente acaba perdendo pontos importantes nas questões de interpretação de texto em que é cobrado o conteúdo de vícios de linguagem, decidimos separar cinco questões que representam bem a forma como essa matéria é cobrada pelas bancas organizadores. Mas, mais do que isso, decidimos também comentar cada uma das questões, de forma que você consiga entender onde se encontra o erro e porque determinada alterantiva é considerada o gabarito pela banca! Com isso, esperamos que não restem dúvidas da matéria e que você consiga gabaritar toda a sua prova. Vamos resolver essas questões juntos?

Primeiramente, vamos esclarecer que a matéria de vícios de linguagem costuma integrar, nos conteúdos programáticos dos editais, a parte de interpretação de texto. Por isso, é importante não só conhecer a matéria, mas, também, entender como ela é normalmente cobraba pelas bancas. Caso você ainda não tenha domínio da Língua Portuguesa que lhe garanta tranquilidade nessas questões, não deixe de ver nossa aula em que tratamos de alguns aspectos de interpretação de texto!

Questões comentadas de Vícios de Lingagem

A seguir, vamos analisar cinco questões de diferentes bancas examinadores. Recomendamos que você faça a questão sozinho antes de seguir para nosso comentário. Boa sorte! =)

Questão 01.

(FGR, Prefeitura de Cabeceira Grande, Auxiliar Administrativo, 2018)

“Embora frequentes no dia a dia dos falantes, os vícios de linguagem são desvios gramaticais, ou seja, palavras, expressões e construções que fogem às regras da norma padrão ou norma culta. Os vícios de linguagem ocorrem, normalmente, por falta de atenção e pouco conhecimento dos significados das palavras pelos falantes”.

Considerando as informações presentes no texto acima, em qual dos pares de frases identificam-se vícios de linguagem?

  • A) O anfitrião comprimentou meus amigos. / Certos voos provocam enjoos.
  • B) Fazem dois meses que ele partiu. / Faltaram muitos convidados hoje.
  • C) Eu o vi na esquina da minha rua. / A vaca da sua irmã é muito brava.
  • D) Houveram dias de paz no país. / Quando eu pôr o jornal na mesa, saia.

COMENTÁRIO SOBRE OS VÍCIOS DE LINGUAGEM

Gabarito: Letra D. Observe que o comando da questão exige que ambas as frases de cada alternativa apresentem algum vício de linguagem. Com isso, em mente, nota-se que a letra A não atende ao enunciado, pois, embora a primeira oração incorra no vício de barbarismo gráfico, também chamado de cacografia, a segunda mostra-se plenamente de acordo com a norma culta.

A letra B, pela mesma razão, não é a resposta, ainda que se identifique, na primeira oração, um vício de solecismo de concordância, dado ser impessoal o verbo fazer quando empregado com sentido de tempo passado.

A letra C também não pode ser o gabarito da questão, já que a segunda oração incorre em ambiguidade a partir do pronome possessivo “sua”, o qual não permite saber em qual sentido do termo “vaca” foi empregado – se qualificando a irmã ou se referenciando um bovino de propriedade da irmã.

Por fim a letra D cumpre plenamente o enunciado, sendo, por isso, o gabarito da questão. Na primeira oração, é possível perceber um caso de solecismo de concordância, uma vez que o verbo “haver” com sentido existencial é impessoal, não podendo ser flexionado senão na terceira pessoa do singular. Na segunda oração, por sua vez, há também um solecismo na forma verbal, uma vez que o futuro do subjuntivo exigiria “quando eu puser”.

Observação: A questão, contudo, seria passível de recurso, pois, ao se analisar com mais critério, nota-se que a letra A também poderia ser tida como certa, já que sua segunda oração incorre no vício chamado de eco ou rima, em razão das palavras “voos” e “enjoos”

Questão 02.

(UFAC, Assistente em Administração, 2019) Analisando os vícios de linguagem listados abaixo, relacione adequadamente:

I. ambiguidade

II. pleonasmo

III. cacófato

IV. eco

V. solecismo

( ) A boca dela tinha dentes cariados.

( ) Aquele era o pai da moça que estava doente.

( ) Vou te contar uma novidade inédita.

( ) Aqueles rapazes estava sem rumo.

( ) Teve vontade de ir à cidade só por maldade.

Está correta a sequência:

  • A) III, I, II, V, IV.
  • B) III, I, V, II, IV.
  • C) III, I, II, IV, V.
  • D) V, I, II, IV, III.
  • E) IV, II, III, I, V.

COMENTÁRIO SOBRE OS VÍCIOS DE LINGUAGEM

Gabarito: Letra A. Na primeira oração, observa-se um caso de cacófato, produzido na locução “boca dela”, a qual cria a expressão “bocadela”, de modo que deverá ser ela relacionada com o número III.

A segunda oração deve ser relacionada com o número I, uma vez que se tem uma ambiguidade no referente do pronome relativo “que”, o qual não pode ser identificado com clareza, se “o pai da moça estava doente” ou se “a moça estava doente”.

A terceira oração deve ser relacionada com o vício do pleonasmo, já que uma novidade é, por si mesma, inédita.

A quarta oração, por sua vez, apresenta um vício de solecismo de concordância, já que o verbo “estar” não se encontra devidamente flexionado conforme o sujeito plural “aqueles rapazes”.

Por último, a quinta oração incorre em um caso de eco, já que há rima nas palavras “vontade” e “maldade”.

Questão 03.

(FCC, Câmara Legislativa do Distrito Federal, Consultor Legislativo – Redação Parlamentar, 2018)

O mundo moderno está em crise (os mundos do passado tiveram suas crises; é a nossa perspectiva presente). É truísmo, esse, inarredável. E o sentem os que veem a crise como um mal de cujo ventre irromperá monstros, como o sentem os que a veem como um bem de cujo cerne nascerá algo como a Utopia. Isso é dito pelo poeta em mais de um lugar da Obra, que é perpassada por toda essa crise. Veja-se na sua transposição simbólica de um joão-ninguém ou joão-todo-o-mundo.

(Adaptado de: HOUAISS, Antônio. Drummond. In: Drummond mais seis poetas e um problema. Rio de Janeiro: Imago, 1976, p. 35)

No texto, há um vício de linguagem identificado como:

  • A) Vulgarismo em: “João-todo-o-mundo”.
  • B) Arcaísmo em: “É truísmo, esse, inarredável”.
  • C) Solecismo em: “os que veem a crise como um mal de cujo ventre irromperá monstros”.
  • D) Neologismo em: “João-ninguém”.
  • E) Clichê em: “como um bem de cujo cerne nascerá algo como a Utopia”.

COMENTÁRIO SOBRE OS VÍCIOS DE LINGUAGEM

Gabarito: Letra C. Analisando as cinco alternativas, percebe-se que a letra A está errada ao identificar a expressão “João-todo-o-mundo” como um vulgarismo, quando, na verdade, trata-se mais de um caso de neologismo.

Na letra B, não há caso de arcaísmo.

A letra C é o gabarito da questão, uma vez que incorre em solecismo de concordância, dado o verbo “irromper” não se encontrar flexionado segundo o sujeito plural “monstros” – “de cujo ventre irromperão monstros”.

A letra D não acerta na identificação, já que a expressão “João-ninguém” não pode ser considerada um neologismo.

A letra E, por fim, não aponta um caso de clichê, ao contrário, traz um segmento marcadamente autêntico.

Questão 04.

 Privilégio ou Previlégio?

Clara Braga

Atire a primeira pedra quem nunca escreveu uma palavra com a grafia errada jurando que estava escrevendo certo. Essa é a história da minha vida. Meu melhor amigo? Corretor do Word. Minha melhor desculpa? Licença poética. Mas tem uns erros que não há licença poética que segure.

Esses dias vi um que confesso que na hora “h” me deixou na dúvida: privilégio ou previlégio? Eu tinha certeza que era privilégio, mas sabe quando você vê a palavra errada em uma frase tão convincente que acaba ficando na dúvida? Pois é, “viajar para o exterior é um previlégio de poucos”. Quer frase mais convincente que essa?

Nada que um bom dicionário não resolva: Privilégio – vantagem concedida a alguém, com exclusão dos outros; permissão especial. Substantivo masculino com origem no latim ‘privilegium’ e, por isso, escrita com “i” mesmo! Se fosse o soletrando do Caldeirão do Hulk, ainda poderíamos pedir a divisão silábica e a utilização em uma frase, mas não é necessário, só pela origem já não fica mais na dúvida, é com “i”. Mas pesquisar alguns sinônimos não faz mal a ninguém: posse, regalia, concessão, direito, direito. Opá, direito?

Pois é, parece que direito pode ser sinônimo de privilégio, porém, em alguns casos, a palavra privilégio pode ser entendida de forma pejorativa, afinal é algo que uma pessoa possui e outra não, seja lá o motivo, e ninguém gosta de ser excluído de uma concessão, não é mesmo? Porém, é aí que mora todo o problema, algumas pessoas não entendem que nem todo mundo tem o privilégio de não ter uma deficiência, por exemplo, que o impeça de ter acesso a seja lá o que for, de banheiro a informação.

Não vivemos em um mundo adaptado a todas as necessidades, e isso não é culpa das pessoas com deficiência, muito pelo contrário, no final, são elas que saem perdendo. Por isso, algumas regras básicas precisam ser colocadas para que todas as pessoas tenham iguais oportunidades na vida (e aqui também incluo desde a oportunidade de se informar até a oportunidade de usar um banheiro público), e é por isso que essas regras não estão em discussão pois são DIREITOS garantidos por lei, e não privilégios.

A placa colocada em Curitiba que pedia o fim dos privilégios das pessoas com deficiência e que causou revolta na internet parece não ter passado de uma ação de marketing para uma campanha que busca garantir os direitos das pessoas com deficiência. Uma ótima campanha para ser feita próxima do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e do Dia Mundial da Acessibilidade. Tomara que a revolta que eu e muitos sentiram não morra nas redes sociais.

(FAPESE, UFS, Assistente em Administração, 2018)

O título da crônica de Clara Braga traz, em si, uma indagação a respeito do uso oral ou escrito de certas palavras da língua portuguesa. O exemplo apresentado é o que ocorre, comumente, com a palavra “privilégio/previlégio”. Esta mesma dúvida acontece em situações como:

  • A) digladiar/degladiar;
  • B) sírio/círio;
  • C) acaso/ocaso;
  • D) mandado/mandato;
  • E) Diferir/deferir.

COMENTÁRIO SOBRE OS VÍCIOS DE LINGUAGEM

Gabarito: Letra A. Correta a letra A, sendo o gabarito da questão, pois o caso relatado no enunciado – “privilégio/previlégio” – corresponde a um barbarismo gráfico ou de cacografia, em que há a troca de uma letra por outra, tornando a palavra graficamente incorreta

Questão 05.

(FEPESE, CIDASC, Médico Veterinário, 2017)

Assinale a alternativa que apresenta correta análise do vício de linguagem presente.

  • A) Sua rúbrica está ilegível! (arcaísmo)
  • B) Ele advinhou o que eu queria lhe contar. (barbarismo)
  • C) Nunca gaste além do necessário, pois o tempo é de economia! (pleonasmo)
  • D) Subiu para cima e viu uma surpresa inesperada. (cacófato)
  • E) Pedro, pedreiro, pintor, patriota pinta paisagens paradisíacas. (obscuridade)

COMENTÁRIO SOBRE OS VÍCIOS DE LINGUAGEM

Gabarito: Letra B. A questão exige do candidato a capacidade de identificar o vício presente na frase e de relacioná-lo corretamente com a espécie indicada entre parênteses.

Dito isso, nota-se que, embora a letra A apresente um desvio fonográfico, a sua identificação está errada, pois trata-se, na verdade, de um caso de barbarismo prosódico ou de cacoépia e não de arcaísmo.

A letra B, por outro lado, apresenta correta identificação do desvio linguístico, uma vez que a palavra “advinhou” traduz um caso de barbarismo gráfico, também chamado de cacografia, dado ser correta a forma “adivinhou”. Portanto, a alternativa é o gabarito da questão.

Já a letra C está errada porque o próprio enunciado não incorre em qualquer vício de linguagem, não havendo ocorrência de pleonasmo na frase.

A letra D, por sua vez, erra também na identificação, já que o enunciado não traz um cacófato, mas, sim, um pleonasmo na expressão “subiu para cima”.

Finalmente, a letra E apresenta o vício de colisão, em que a sequência de fonemas consonantais semelhantes produz um som desagradável. Nesse sentido, não se pode entender haver obscuridade


O que achou das questões? Conseguiu treinar e entender melhor como o conteúdo de vícios de linguagem costuma ser cobrado em provas objetivas de concursos públicos? Aposto depois dessa revisão não ficou nenhuma dúvida sobre o assunto, não é verdade? Mas dúvidas são algo bastante persistente, então, mesmo se ainda houver algum ponto que não ficou claro, conte para a gente na seção de comentários! Além disso, caso queira saber sobre os cursos e escolher aquele que é melhor para você, não deixe de entrar em contato conosco pelos telefones

Caso tenha algum assunto que gostaria de ler por aqui, deixe sua sugestão na seção de comentários. 🙂

Deixe seu Comentário

Comentários