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Partícula “SE” – As 3 funções mais cobradas em provas!

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por: Equipe Flávia Rita

Você já deve ter se pegado perguntando, que função a partícula “se” desempenha na frase, certo? Se já fez alguma prova de português, com certeza já! Entretanto, saiba que essa dúvida não é apenas sua, mas de muitos outros estudantes que se confundem nos diferentes usos da partícula “se”, tanto em razão das diferentes formas com que é utilizada como por uma organização confusa do conteúdo nos principais manuais. Por isso, vamos tratar aqui das três funções mais comuns da partícula “se”, de maneira que você aprenda definitivamente a identificar qualquer um desses casos! Vamos lá?

CLASSES GRAMATICAIS DA PARTÍCULA “SE”

Primeiramente, muitas dúvidas devem surgir quanto à classe gramatical do termo. Afinal, a partícula “se” é um pronome ou uma conjunção? Se você se pegou perguntando isso, saiba que você está certo nos dois casos! A partícula “se”, a depender do contexto, poderá ser qualquer das classes gramaticais, ou seja, ou pronome ou uma conjunção!

  • “Se” como conjunção
  • “Se” como pronome

Vamos ver os casos mais famosos, começando pela partícula “se” como conjunção:

PARTÍCULA “SE COMO CONJUNÇÃO

PARTÍCULA “SE” COMO CONJUNÇÃO CONDICIONAL:

Vamos esclarecer, de início, que é função das conjunções articular duas orações de maneira lógica, com o estabelecimento de um sentido entre elas. A partícula “se”, no caso de conjunção condicional, irá exprimir uma condicionalidade entre as sentenças. Além disso, ao se fazer a análise sintática dos períodos compostos, irá se perceber que a partícula “se” conjunção condicional introduzirá uma oração subordinada adverbial condicional, de maneira que trará o verbo no modo subjuntivo, mais especificamente futuro e pretérito imperfeito do subjuntivo.

Exemplo: Se o resultado fosse positivo (oração subordinada adverbial condicional), o processo também o seria.

PARTÍCULA “SE” COMO PRONOME

Por outro lado, a partícula “se” também poderá ser empregada no texto como pronome, de maneira que, entre outros casos, construirá a voz passiva sintética ou indeterminará o sujeito da ação. Nesses casos, denominam-se, respectivamente, de partícula apassivadora (PA) e de índice de indeterminação do sujeito (IIS). Vamos ver cada um deles

PARTÍCULA “SE” COMO PARTÍCULA APASSIVADORA (PA)

Nessa hipótese, a partícula pronominal “se” irá compor a estrutura da voz passiva do verbo. Por isso, somente será possível essa forma quando for igualmente possível a construção dessa forma, ou seja, quando o verbo for transitivo direto ou direto e indireto. Em ambos os casos, o sujeito deverá ser paciente. Pode-se destaca os seguintes pontos, dessa construção:

  • Voz passiva sintética – verbo principal seguido da partícula “se”. Exemplo: Falaram-se coisas na festa. = Coisas foram faladas na festa.
  • O verbo concordará com o sujeito. Exemplo: Deram-se presentes às crianças. O sujeito da oração é “presentes”, de maneira que o verbo deve estar no plural. OBS: Lembre-se sempre de que não existe sujeito preposicionado! Logo, impossível confundir “às crianças” com o sujeito!
  • Sujeito paciente expresso (simples/composto/oracional). O sujeito, quando a oração se encontrar na voz passiva, deverá ser expresso.

Observe como esse conteúdo pode ser cobrado em prova:

QUESTÃO 03 DA PROVA DA DPE-RJ, TÉCNICO NÍVEL SUPERIOR JURÍDICO. “Os modelos pedagógicos de nossas escolas ainda são muito mais direcionados ao ensino teórico para passar no funil do vestibular…”; esse segmento (texto 1) mostra uma forma de voz passiva – “são direcionados” – sem que haja menção do agente dessa ação. O pensamento abaixo em que há uma forma de voz passiva com a indicação do agente é:

  • (A) “A natureza só é comandada se é obedecida”;
  • (B) “Dada a causa, a natureza produz o efeito no modo mais breve em que pode ser produzido”;
  • (C) “O mundo será julgado pelas crianças. O espírito da infância julgará o mundo”;
  • (D) “Existe alguma religião cujos fiéis possam ser apontados como nitidamente mais amáveis e dignos de confiança do que os de qualquer outra?”;
  • (E) “A sabedoria não pode ser transmitida. A sabedoria que um sábio tenta transmitir soa mais como loucura”.

GABARITO E COMENTÁRIO: O gabarito oficial é a letra C. A construção da voz passiva pode se dar nas formas sintética – com o uso do pronome apassivador “se” – e analítica – com o uso do verbo auxiliar “ser”. Além disso, é necessário que o verbo principal seja transitivo direto ou transitivo direto e indireto, pois o objeto direto, que sofre a ação na voz ativa, passará à posição de sujeito da oração enquanto o sujeito original passará a ser agente da passiva. Assim, dentre as opções, tem-se que apenas a letra C traz expresso o agente – “pelas crianças”. Embora a letra B contenha o sujeito que pratica a ação – “a natureza” – , ele não desempenha a função sintática de agente da passiva, pois aparece apenas na oração em sua forma ativa.

PARTÍCULA “SE” COMO ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO (IIS)

No caso de a partícula “se” atuar como índice de indeterminação do sujeito (IIS), esse não poderá ser explícito nem estar subentendido na frase. São consideradas características dessa classe:

  • O verbo ser intransitivo, transitivo indireto ou de ligação.
  • Voz ativa.
  • Sujeito ser indeterminado, sempre na terceira pessoa do singular.

Vamos ver alguns exemplos para esclarecer:

  • Exemplo: Obedeceu (VTI) -se (IIS) ao códido de ética da instituição (OI). Observe que o verbo “obedecer” é transitivo indireto e o sujeito encontra-se indeterminado pela partícula “se” (IIS).
  • Exemplo: Não (Ad.Av. de negação) se (IIS) trata (VTI) de um evento isolado (OI). Novamente, não é possível identificar o sujeito da oração. A isso, junta-se o fato de o verbo ser transitivo indireto.

Embora seja um assunto complicado, quando organizamos as informações e dividimos as categorias, fica bem mais fácil, não é mesmo? Espero que tenha entendido tudo a respeito das três formas mais cobradas em provas! Se um dia for fazer qualquer concurso organizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), saiba que a chance de ver uma questão dessa é altíssima! Então, nada de escorregar no conteúdo! Se você gostou desse texto e achou interessante a matéria, não deixe de nos avisar nos comentários!

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