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Tipos de “QUE”: como usar a partícula “QUE” em seu texto

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por: Equipe Flávia Rita

Muitos alunos, mesmo os mais experientes, ainda têm dúvidas quanto à classe gramatical do “que” nas orações. Afinal, ele é uma conjunção, um pronome, um substantivo ou pertence a alguma outra classe? Como veremos aqui, essa partícula pode assumir diversas formas gramaticais, cuja identificação dependerá do contexto e das relações sintáticas estabelecidas. Por isso, nesse texto, você irá aprender as diferentes formas como o “que” pode ocorrer ao longo de um texto! Vamos lá?

FUNÇÕES DA PARTÍCULA “QUE”

Primeiramente, vamos analisar três exemplos:

  • O sucesso está tão perto que não devemos desistir agora.
  • Sinto que devemos avaliar nossas atitudes para ver onde erramos.
  • A mulher a que me referi me é muito especial.

Percebeu que a partícula foi utilizada de maneira diferente em cada uma das frases? Mas você soube identificar cada um deles? Vamos ver com calma:

  • O sucesso está tão perto que não devemos desistir agora. A partícula “que” foi empregada como conjunção integrante consecutiva, uma vez que, além de não fazer retomada de termo, estabelece uma consequência do fato mencionado.
  • Sinto que devemos avaliar nossas atitudes para ver onde erramos. Nesse caso, o “que” é empregado como uma preposição acidental.
  • A mulher a que me referi me é muito especial. Aqui, como há retomada do termo antecedente, a partícula funciona como um pronome relativo.

Mas agora você deve estar se perguntando como identificar a função desempenhada pela partícula “que” ou a classe na qual se enquadra. Para se ter uma ideia, são apontados 12 tipos de “que”, desde conjunções até substantivos. Por isso, para não gerar confusão, vamos ver alguns casos em que a partícula exercerá a função de conjunção, de modo que você possa aprender a analisar a partícula e a classificar corretamente.

TIPOS DE QUE (CLASSIFICAÇÃO)

CONJUNÇÃO CONSECUTIVA:

Como visto no exemplo acima, o “que” pode ser empregado como uma conjunção consecutiva, ou seja, um termo responsável por estabelecer sentido entre duas orações. Nesse caso em específico, a ideia atribuída será de consequência. Com isso em mente, para identificar um “que” conjunção consecutiva, observe os seguintes pontos:

  • Poderá ser formado pelas expressões “tão, tal, tanto, tamanho… + que.
  • Estabelecerá a ideia de consequência.
  • Introduzirá uma oração subordinada adverbial consecutiva.

Exemplo: Estudou tanto para aquela prova que acabou ficando um pouco doido.

CONJUNÇÃO COMPARATIVA:

A partícula também poderá estabelecer uma comparação entre duas ideias. Nesse caso, será acompanhada de outras palavras que impliquem um juízo de qualidade. Atente-se, portanto, para os seguintes aspectos:

  • Será acompanhada de expressões como “mais, menos, maior, menor, pior…” + (do) que.
  • Estabelece uma comparação.
  • Introduzirá oração subordinada adverbial comparativa.

 Exemplo: Ela era muito mais bonita (do) que sua filha.

 CONJUNÇÃO EXPLICATIVA:

 O “que” também poderá implicar uma explicação a respeito de uma afirmação feita anteriormente. Nesse caso, ele funcionará como uma conjunção explicativa. Para identificar essa situação, tenha em mente os seguintes pontos:

  • Quando funcionar como uma conjunção explicativa, o “que” virá, em geral, após expressões no imperativo.
  • Terá um sentido equivalente à conjunção “pois”.
  • Exprimirá um sentido de explicação.
  • Introduzirá uma oração coordenada sindética explicativa.

Exemplo: Escutem mais, que se tornarão mais sábios.

CONJUNÇÃO ADITIVA:

A partícula “que” poderá, além dos casos supracitados, introduzir uma ideia nova. Com isso, será classificada como uma conjunção aditiva, equivalente à “e”. Para identificá-la, tenha em vista os seguintes pontos:

  • Virá normalmente entre verbos repetidos.
  • Tem sentido equivalente a “e”.
  • Estabelece uma ideia de adição.
  • Introduz uma oração coordenada sindética aditiva.

Exemplo: O pai promete que promete, mas nunca cumpre.

OBS: Apenas para lembrar, orações sindéticas são aquelas que se ligam por meio de um conector, mais precisamente uma conjunção ou uma locução conjuntiva.


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LOCUÇÕES CONJUNTIVAS

 A partícula “que” poder, também, compor uma locução conjuntiva, de forma a establecer um sentido específico. Nesses casos, ter-se-á “uma conjunção”  formada por mais de uma palavra. Por exemplo: Ainda que (concessão), mesmo que (concessão), já que (causa), agora que (tempo), à medida que (proporção), na medida em que (causa).

 Exemplo: À medida que ele cresce, fica mais sábio.

OBS: Locuções conjuntivas introduzem orações subordinadas adverbiais de tipos diferentes.

PREPOSIÇÃO ACIDENTAL

O “que” ainda poderá aparecer como uma preposição acidental. Isso ocorrerá, normalmente, em locuções com os verbos ter ou haver + infinitivo. Nesses casos, a partícula será equivalente a “de”, de forma que poderá, mesmo, ser por ele substituído.

Exemplo: Haverei que vencer a guerra. = Haverei de vencer a guerra.

Exemplo: Há que se falar nisso. = Há de se falar nisso.

Exemplo: Os estudantes têm, ao longo das experiências escolares, que superar desafios.= Os estudantes têm, ao longo das experiências escolares, de superar desafios.

SUBSTANTIVO

A partícula “que” pode ocorrer na frase também como um substantivo. Nesse caso, irá aparecer precedido de artigo, sendo acentuado. Quando isso ocorrer, a palavra irá equivaler à expressão “um pouco”.

Exemplo: Ela tem um quê de mistério.

PRONOME INTERROGATIVO

Um uso muito comum no dia a dia é na forma interrogativa, ou seja, como um pronome interrogativo. O “que”, aqui, será empregado em perguntas diretas (aquelas que terminam com ponto de interrogação). Tanto a forma simples, com o uso apenas da palavra “que”, como a locução, composta pelo artigo “o”, poderão aparecer,

Exemplo: (O) que Maria fez ontem a noite?

Exemplo: (O) que aconteceu na cidade enquanto estávamos fora?

ADVÉRBIO DE INTENSIDADE.

O “que” emprego como advérbio de intensidade é algo bastante comum na linguagem falada. Nesse caso, ele não irá modificar o substantivo, já que isso é função dos adjetivos. Contudo, irá modalizar o verbo, o adjetivo ou o próprio advérbio. Quando ocorrer, equivalerá a “quão”.

Exemplo: Que educada foi sua atitude.

Exemplo: Quão educada sua irmã foi!

PARTÍCULA EXPLETIVA OU DE REALCE

Para quem estuda pra concurso, já, com certeza, viu esse uso da partícula “que”. Quando ocorrer como partícula expletica, o “que” não apresentará função semântica nem sintática e poderá ser combinado ao verbo ser: (i) que + substantivo (≠ advérbio de intensidade); (ii) sujeito + é que + predicado (≠ pronome relativo); (iii) ser + adj. adv. + que + resto da frase (≠ pronome relativo).

Exemplo(i): Que coisa (substantivo) mais chata. ≠ Que interessante (adj.) sua atitude.

Exemplo(ii): As crianças é que sabem das coisas. ATENÇÃO! A partícula expletiva não gera período composto, pois pode mesmo ser suprimida.

Exemplo(iii): Foi (verbo ser) em julho (adj. adv.) que (partícula expletiva) nos conhecemos

PRONOME RELATIVO

Talvez uma das ocorrências mais comuns da partícula “que”

Além disso, quando o “que” atuar como pronome relativo, sintaticamente, ele desempenhará a mesma função sintática do termo referenciado. Por exemplo, quando retomar o objeto direto, será classificado, também, como objeto direto; quando retomar um sujeito, exercerá papel de sujeito da oração.

Resumindo:

  • Retoma o termo antecedente.
  • Introduz oração subordinada adjetiva.
  • Todo pronome relativo exerce uma função sintática na oração de que faz parte.

Exemplo: Não gostei do que ele disse. (Aqui, o pronome relativo “que” retoma a palavra “o”, de modo que, em decorrência da regência verbal, será acompanhado da preposição “de”).

Exemplo: A história que (pronome relativo retoma o substantivo história) ele contou tinha elementos que (pronome relativo que retoma o nome elementos) dificultavam a imaginação.

 OBS: Há casos em que o pronome relativo “que” acompanhará um pronome demonstrativo, os quais são chamados de Caso DR. Ocorre quando os pronomes a”, “o”, “as”, “os” desempenharem função demonstrativa e forem seguidas de um “que” pronome relativo. Veja os exemplos:

Exemplo: Não ouvi o que ele disse. (O pronome “o” é empregado como pronome demonstrativo na frase, uma vez que pode ser substituído, com respeito às normas gramaticais, pela forma “aquilo”, ao passo que o pronome relativo “que” poderá ser trocado pela forma “o qual”).

Exemplo: Ela é uma das que ficariam. à É possível substituir o “das” (pronome demonstrativo) por “daquelas” e o “que” (pronome relativo) por “as quais”.

CONJUNÇÃO INTEGRANTE

A segunda classe da partícula “que” mais comuns em provas de concursos públicos é a conjunção integrante.

Como conjunção, essa espécie de partícula “que” será empregado para articular orações em relação de sentido. Nesse sentido, o termo, ao contrário de sua forma pronominal, não apresentará carga semântica, dado que também não se retomará palavras no texto.

Por fim, merece ser destacado que o “que”, quando conjunção integrante”, introduzierá uma oração subordinada substantiva e não uma oração subordinada adjetiva, como ocorre com a forma pronominal. vamos resumir:

  • Une orações sem relação de sentido.
  • Não apresenta carga semântica.
  • Não retoma termos.
  • Introduz oração subordinada substantiva (objetiva direta e subjetiva).

Exemplo: Queria (Verbo Transitivo Direto) que ele me ajudasse nas tarefas (oração subordinada substantiva objetiva direta).

Exemplo: É (verbo de ligação) importante (predicativo do sujeito) que homem se dedique ao trabalho (oração subordinada substantivo subjetiva).

OBS: Entretanto, a partícula “que”, ainda que isolada, poderá exprimir sentido específico, desde que haja elipse na frase. Por exemplo, em “Adoro bailes longes que sejam”, a partícula “que” não se enquadra como conjunção integrante, mas, sim, como conjunção concessiva, dado ter sido suprimida a palavra “ainda”.

FUNÇÃO SINTÁTICA DOS PRONOMES RELATIVOS

Observe os seguintes pronomes relativos com maior frequência na Língua Portuguesa e nas provas de concursos públicos:

  • que
  • onde
  • quem
  • o qual
  • a qual
  • como
  • cujo
  • quanto

Não se esqueça de que todo pronome relativo exercerá, necessariamente, uma função sintática na oração de que faz parte. Veja os exemplos:

Exemplo: A moça que vi era bonita. à (i) A moça era bonita./que vi. à (ii) Termo antecedente: a moça. à (iii) Vi a moça. à Moça = sujeito = que.

Exemplo: A moça que chegou era bonita. à que = sujeito.

Exemplo: A moça a que me refiro era bonita. à que = OI.

Exemplo: A moça a que fiz alusão era bonita. à Fiz alusão à moça. à termo antecedente: à moça à Complemento nominal = que.

Passos para identificar a função sintática do pronome relativo:

  1.  Isole a oração do pronome relativo. A outra oração deve ter sentido completo.
  2. Identifique o termo antecedente.
  3. Reescreva a oração substituindo o “que” pelo termo antecedente.
  4. A função sintática que o termo antecedente tiver na oração construída será a mesma do pronome relativo.

Analisando a a função sintática de “que” como pronome relativo

  • As questões a que fiz referência merecem atenção.

Partícula “que” empregada com função de “complemento nominal”.

  • O rapaz que chegou parecia assustado.

Partícula “que” empregada com função de sujeito.

  • Conhecia a história que o rapaz contou.

Partícula “que” empregada com função de objeto direto.

  • Viu a moça a que me referi.

Partícula “que” empregada com função de objeto indireto.

  • Ninguém negava o homem [que ele era].

Partícula “que” empregada com função de predicativo.

  • Os livros [cuja leitura foi pedida no CFO] eram bons.

O pronome “cujo” foi empregada com função de complemento nominal.

  • Os livros [cujo autor esteve no local] eram bons.

O pronome “cujo”, elíptico na frase, foi empregado com valor sintático de adjunto adnominal.

  • O local [onde ele se encontrava] parecia deserto.

O pronome relativo “onde” foi empregado com valor de adjunto adverbial.

  • As coisas [de que temos medo], em geral, nos seguem.

A expressão “de que” desempenha função de “complemento nominal”.

  • A opinião [que faltava] foi dada por um leigo.

O pronome “que” foi empregado com função sintática de “sujeito”.​


Ficou claro como a partícula pode ser utilizada de diferentes formas? Aqui, vimos as principais conjunções, mas o “que” também pode ser empregado como preposição, substantivo e pronome! Se quiser saber mais sobre o assunto, não deixe de nos avisar na seção dos comentários!

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