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TRF 3 – Analista Judiciário – Prova De Português Comentada

Equipe Flávia Rita

Você fez a prova para Analista Judiciário – Área Judiciário do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e agora quer conferir o gabarito da disciplina de Língua Portuguesa? Então siga lendo! Comentamos item por item da prova, de forma que você possa entender o que errou, por que errou e, mais importante, não errar novamente! Vamos lá?

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Atenção: Para responder às questões de números 1 a 4, baseie-se no texto abaixo.

 [Como se estrutura uma sociedade?]

A pergunta formulada acima é uma constância da história social. Alguns antropólogos têm afirmado que a estrutura social é a rede de todas as relações de pessoa-a-pessoa, numa dada sociedade. Mas tal definição é por demais ampla. Não estabelece distinção entre os elementos efêmeros e os mais persistentes na atividade social, e torna quase impossível distinguir a noção de estrutura de uma sociedade da totalidade da própria sociedade.

No extremo oposto, está a noção de estrutura social compreendendo, somente, as relações entre os grupos principais na sociedade, que persistem por muitas gerações, mas exclui outros como a família, que se dissolve de uma geração para outra. Essa definição é limitada demais.

Uma terceira noção de estrutura social enfatiza não tanto as relações reais entre pessoas ou grupos, mas as relações esperadas ou mesmo as relações ideais. De acordo com esse ponto de vista, o que realmente dá à sociedade sua forma e permite a seus membros exercerem suas atividades são as expectativas ou mesmo as crenças idealizadas do que está feito, ou do que deverá ser feito pelos outros membros. Não falta quem veja tal formulação como bastante insatisfatória.

Em vez de respostas prontas à pergunta aqui tratada, será preciso sempre reconhecer que a validade de qualquer uma delas estará presa à validação do critério que a sustenta.

(Adaptado de: FIRTH, Raymond. In: VV.AA. Homem e sociedade. Trad. Amadeu José Duarte Lanna. São Paulo: Nacional, 1975, p. 35-36)

QUESTÃO 01. Deve-se entender da leitura do texto que, ao se considerar a pergunta formulada no título,

(A) a definição dada no primeiro parágrafo não satisfaz porque, em sua amplitude, formula ideais de conduta coletiva em vez de analisar práticas individuais.

(B) a  noção  aventada  no  segundo  parágrafo  pecaria  por  não  distinguir entre  os  elementos transitórios  e os  elementos duradouros de uma sociedade.

(C) a  hipótese  levantada  no  terceiro  parágrafo  é  dada  como  insatisfatória  porque  valoriza  as  relações  pragmáticas já estabelecidas numa sociedade.

(D) o reconhecimento de um parâmetro válido para a definição do que seja uma estrutura social é indispensável para que se aceite essa definição.

(E) a validação do conceito mesmo de estrutura social deve preceder toda e qualquer análise de caso que se proponha numa fundamentação aceitável.

Questão 01. Comentário. A letra A está errada, pois o objeto da pergunta é trazer reflexões sobre a sociedade, ou seja, sobre o corpo coletivo, de forma que a ação em individual, isoladamente considerada, não importa para a pergunta. Uma resposta adequada se encontra, sim, no primeiro parágrafo, assim como no terceiro, que apresenta a seguinte explicação: “De acordo com esse ponto de vista, o que realmente dá à sociedade sua forma e permite a seus membros exercerem suas atividades são as expectativas ou mesmo as crenças idealizadas do que está feito, ou do que deverá ser feito pelos outros membros”. A letra B está errada, pois, segundo o autor, a noção de sociedade apresentada no segundo parágrafo pecaria por ser excessivamente limitada, como ele mesmo deixa claro ao dizer: “Essa definição é limitada demais”. A letra C está errada, uma vez que a visão exposta no terceiro parágrafo valoriza mais as relações teóricas do corpo social – “De acordo com esse ponto de vista, o que realmente dá à sociedade sua forma e permite a seus membros exercerem suas atividades são as expectativas ou mesmo as crenças idealizadas do que está feito, ou do que deverá ser feito pelos outros membros”. Gabarito Oficial – Letra D: Correta a letra D, pois mostra se consoante a conclusão do autor: “Em vez de respostas prontas à pergunta aqui tratada, será preciso sempre reconhecer que a validade de qualquer uma delas estará presa à validação do critério que a sustenta”. A letra E está errada porque contradiz exatamente a conclusão do autor, ou seja, a de que o critério do que seja sociedade deverá preceder qualquer elaboração conceitual.

QUESTÃO 02. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

(A) rede de todas as relações de pessoa-a-pessoa (1o parágrafo) = somatória de todas as individualidades.

(B) persistem por muitas gerações (2o parágrafo) = difundem uma permanência gerativa.

(C) enfatiza não tanto as relações reais (3o parágrafo) = releva sobremaneira as conexões efetivas.

(D) permite a seus membros exercerem (3o parágrafo) = faculta o desmembramento do exercício.

(E) estará presa à validação do critério (4o parágrafo) = dependerá da aceitabilidade do parâmetro.

Questão 02. Comentário. A letra A está errada, pois relação “pessoa a pessoa” corresponde às relações interindividuais estabelecidas e não à análise das individualidades isoladamente. A letra B está errada, uma vez que a tradução da ideia altera o sentido original, o qual não trata de difusão nem de “permanência gerativa”. A letra C este errada por também alterar o sentido, já que “relações reais” não equivale a “conexões efetivas”. A letra D está errada, já que não há expressão equivale no trecho original a “desmembramento do exercício”. Gabarito Oficial – Letra E: A letra D traduz adequadamente a ideia original, já que “estar preso” corresponde a “ser dependente”. Portanto, é o gabarito da questão.

QUESTÃO 03. Está clara e correta a redação desta livre consideração sobre o texto:

(A) A menos que se sigam algum critério aceitável, os estudiosos da sociedade se apresentam como problemáticos no caso de sua definição estrutural.

(B) Os  diferentes  critérios  para  a  definição  do  que  seja  a  estrutura  social  são  julgados,  por  razões  diversas,  como insatisfatórios.

(C) Há quem julguem as relações sociais como um produto que ao mesmo tempo considere que as individualidades já as constituam por si mesmas.

(D) Não é por formularem alguma ordem ideal para as relações sociais definidas como expectativas que se obtêm, apenas por isso, a validade de uma estrutura.

(E) O autor do texto leva-nos à crer que, a depender do critério que adotássemos,  nossa definição de estrutura social terá validade nessa dependência.

Questão 03. Comentário. A proposta de redação da letra A apresenta erro de concordância do verbo “seguir”, o qual se encontra apassivado pelo pronome “se”. Com isso, o sujeito paciente seria a locução singular “algum critério”. A reescrita também estaria correta se se suprimisse o pronome apassivador “se”, o que obrigaria a concordância do verbo com o sujeito plural “os estudiosos”. Gabarito Oficial – Letra B: A letra B apresenta correta proposta de reescritura, com total respeito às regras gramaticais. Portanto, é o gabarito da questão. A letra C incorre em erro de flexão verbal, já que o verbo “haver” com sentido existencial é impessoal, sendo sempre flexionado na terceira pessoa do singular e contaminando os demais verbos. Nesse sentido, o correto seria “há quem julgue”. Além disso, a locução adverbial deslocada “ao mesmo tempo” deveria estar entre vírgulas. A letra D está errada por apresentar proposta de reescritura confusa e, como consequência, com prejuízo à clareza. A letra E, por fim, encontra se também incorreta, dado ser vedado o uso de crase antes de verbo – “à crer”. Ademais, por questões e correlação de tempos e modos verbais, seria preferível optar pelo verbo “adotar” no futuro do subjuntivo – “adotarmos”.

QUESTÃO 04. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do singular para integrar corretamente a frase:

(A) As respostas que se (aguardar) para essa questão prendem-se aos critérios a serem observados.

(B) A propósito dessa exata definição de estrutura com que se (afligir) os antropólogos, estamos longe de qualquer consenso.

(C) Não (dever) caber aos sociólogos ou antropólogos definir açodadamente o que seja uma estrutura social.

(D) Àqueles que (haver) de pesquisar o funcionamento de uma sociedade recomenda-se sensatez na escolha de um critério.

(E) A validação dos critérios que se (apresentar) como parâmetros aceitáveis deve receber o aval de todos os envolvidos na definição.

Questão 04. Comentário. A letra A não admite a flexão verbal no singular, pois o verbo “aguardar” deverá concordar com o sujeito plural “as respostas”, em razão do pronome relativo “que” anteposto. A letra B está errada, já que o verbo “afligir” deverá concordar com o sujeito plural “antropólogos”. Gabarito Oficial – Letra C: Correta a letra C, sendo o gabarito da questão, já que o verbo “caber” tem sujeito oracional – “definir açodadamente o que seja uma estrutura social”, de forma que o verbo “dever” será também flexionado na terceira pessoa do singular. A letra D, por sua vez, não admite a forma singular do verbo “haver”, já que ele foi empregado como auxiliar, devendo concordar, em razão do pronome relativo “que” anteposto, ao pronome “aqueles”. Portanto, será flexionado para a forma plural. Finalmente, a letra E não aceitará a forma singular, já que o verbo “apresentar” está empregado na forma passiva sintética, sendo acompanhado do sujeito plural “critérios”.

Atenção: Para responder às perguntas de números 5 a 8, baseie-se no texto abaixo.

[Gravado na pele]

Dizem que a tatuagem data do paleolítico, quando era usada por povos nativos da Ásia. Além da beleza das formas e cores, há algo de simbólico nessas inscrições corporais. Os índios pintam o corpo em cerimônias, festas e rituais de guerra. Os marinheiros, cujas pátrias são os portos e os oceanos, ostentam em sua pele símbolos que evocam a breve permanência em terra firme e a longa travessia marítima: âncoras, ilhas, mapas, peixes, pássaros, bússolas.

Antes de ser uma febre no Brasil, a tatuagem inspirou uma música de Chico Buarque e Ruy Guerra. Quero ficar no teu corpo feito tatuagem, diz a letra dessa belíssima canção.

Para um observador parado à beira-mar, um observador que teme o sol forte e protege a cabeça com um chapéu, cada tatuagem é uma descoberta, uma viagem do olhar. Jovens e velhos exibem tatuagens; uso o verbo exibir porque talvez haja uma ponta de exibicionismo nessa arte antiga de fazer da pele uma pintura para toda a vida.

Numa única manhã ensolarada, sob meu chapéu, vi tatuagens de vários tipos e tamanhos, li nomes próprios, adjetivos, bilhetes, e até mesmo uma mensagem cifrada, cuja revelação será sempre adiada: Amanhã saberás o segredo…

(Adaptado de: HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 122)

QUESTÃO 05. Ao desenvolver suas impressões sobre a tatuagem, o autor acredita que ela,

(A)         sendo um fenômeno relativamente recente, difundiu-se pela atuação dos artistas plásticos que a conceberam em primeira mão.

(B)          apesar dos dissabores que causa, já o persuadiu a tatuar-se em razão da beleza dos símbolos que se imprimem na pele.

(C)          tendo nascido em tempos remotos, conserva plena e exclusiva fidelidade aos primeiros símbolos que a celebrizaram.

(D)         exibindo-se em tantos corpos que passam, oferece a um observador uma revelação contínua de novos elementos.

(E)          embora limitada a formas simbólicas, faz pensar em frases que revelariam o mistério que ela oculta dentro de si mesma.

Questão 05. Comentário. A letra A contradiz o texto, o qual afirma se tratar de um hábito (tatuar-se) antigo, originário do período paleolítico – “Dizem que a tatuagem data do paleolítico, quando era usada por povos nativos da Ásia”. A letra B extrapola o texto, já que inexiste menção aos “dissabores” da tatuagem. A letra C está errada, já que o autor afirma que os símbolos são variados e diferentes, não correspondendo exatamente aos primeiros.  Gabarito Oficial – Letra D: Correta a letra D, sendo o gabarito da questão, como se nota no trecho: “Para um observador parado à beira mar, um observador que teme o sol forte e protege a cabeça com um chapéu, cada tatuagem é uma descoberta, uma viagem do olhar”. A letra E mostra se também contrária ao texto, já que o autor afirma não serem as tatuagens limitadas a símbolos, uma vez que há diversas escritas ou cifradas.

QUESTÃO 06. Na frase Quero ficar no teu corpo feito tatuagem, da canção de Chico Buarque e Ruy Guerra, deve-se entender que

(A)         há o desejo de que essa mesma frase seja gravada no corpo da pessoa amada.

(B)          a expressão feito tatuagem está empregada no sentido de tal e qual tatuagem.

(C)          o corpo da pessoa amada deve aparecer a quem o olha como se fosse uma tatuagem.

(D)         o amor pela pessoa amada acaba tendo a mesma efemeridade de uma tatuagem.

(E)          há a esperança de que a paixão impossível acabe se representando numa tatuagem.

Questão 06. Comentário. A letra A não traduz adequadamente o sentido da frase, já que a ideia do compositor é que sua lembrança, e não a frase, fique gravada como tatuagem. Gabarito Oficial – Letra B: Correta a letra B, dado ser a expressão empregada em sentido comparativo, equivalente a “tal e qual”. A letra C altera o sentido da frase, a qual não trata do corpo da pessoa, mas da lembrança marcada como tatuagem. A letra D contradiz o texto, pois a intenção do compositor é exatamente exprimir seu desejo de permanência nas lembranças da pessoa amada, tal como uma tatuagem o faz na pele. A letra E, por fim, não corresponde ao sentido do texto, o qual se quer trata de paixões impossíveis.  

QUESTÃO 07. Além da beleza das formas e cores, há algo de simbólico nessas inscrições corporais.

A frase acima ganha nova redação, na qual se mantêm a coerência básica, a clareza e a correção da linguagem, no seguinte caso:

(A)         Nessas inscrições corporais, a despeito da beleza das formas e cores, ocorre-lhes algum simbolismo.

(B)          Em tais inscrições corporais o simbolismo desperta-lhes igualmente a beleza das formas e cores simbólicas.

(C)          Algo de simbólico se revela, além das belas formas e cores, nessas inscrições corporais.

(D)         Essas formas simbólicas, em cujas há cores e beleza, apresentam-se como inscrições corporais.

(E)          O simbólico dessas inscrições corporais manifesta-se para muito além das formas e cores que houverem.

Questão 07. Comentário. O texto original exprime um sentido de adição, derivado da conjunção “além disso”. Assim, tal sentido deve ser preservado nas propostas de redação. A alternativa A não mantém o sentido original, uma vez que a locução prepositiva “a despeito de” imprime sentido de concessão na frase, sendo equivalente a “embora”, “conquanto”, “apesar de”. A letra B apresenta erro de pontuação devido à locução adverbial anteposta não virgulada. Além disso, altera se o sentido original ao considerar as cores como simbólicas. Gabarito Oficial – Letra C: Correta a letra C por se mostrar consoante às regas da gramática normativa e por preservar o sentido original ao empregar a locução “além de”. A letra D está errada, pois empregou incorretamente a preposição “em” e o verbo “haver”, o que prejudicou a correção gramatical e a clareza do período. Finalmente, a letra E emprega incorretamente o verbo “haver” com sentido existencial, já que deveria ser flexionado na forma singular por se tratar de um verbo impessoal.

QUESTÃO 08. Está plenamente adequado o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase:

(A)         As economias que provieram de seus salários, ele as despendeu em sessões de tatuagem.

(B)          Elas interviram quando ele se dispôs a apagar uma tatuagem que o custara tão caro.

(C)          A propósito de tatuagens, o velho lhes vê como assessórios inúteis que marcam um corpo.

(D)         Depois de se deixar seduzir a uma tatuagem, conheceu o remorso em cujo se martirizou.

(E)          Ele diz não saber porquê a tatuagem goza de tanto prestígio aonde quer que surja.

Questão 08. Comentário. Gabarito Oficial – Letra A: Correta a letra A sendo o gabarito da questão por apresentar a forma adequada do verbo “provir”. A letra B emprega incorretamente o verbo “intervir”, cuja forma adequada seria “intervieram”. A letra C uso o pronome oblíquo incorreto, dado ser o verbo “ver” transitivo direto. Com isso, a forma adequada seria “as”, para referenciar o nome “tatuagens”. A letra D não respeita a regência verbal, a qual impõe o uso da preposição “por” – “se seduzir por”. A letra E, por fim, emprega incorretamente a forma substantivada “porquê”, uma vez que se trata de um caso de locução pronominal “por que”.

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