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Valores semânticos: POSTO QUE!

Equipe Flávia Rita

O uso da locução “posto que” é um dos mais problemáticos atualmente. Tendo sido ela uma das conjunções que mais sofreu alteração de sentido com o passar do tempo, muitos ainda não têm confiança em seu emprego.
Valores semânticos: POSTO QUE!

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Valores semânticos: POSTO QUE!

O que é valor semântico?

Primeiramente, deve ficar claro o que é valor semântico. Por essa expressão, designa-se o sentido que determinadas palavras possuem intrínseca e extrinsecamente. Isso quer dizer que o sentido pode ser o lexical ou dicionarizado (intrínseco) ou outro distinto decorrente do contexto, do tempo ou da região (extrínseco).
Assim, o valor semântico das palavras é determinado mormente pelo contexto em que elas se inserem.
Veja os seguintes exemplos:

  1. Maria plantou uma flor linda no jardim.
  2. Maria sempre foi uma flor. 
  3. João era um bruto. Ao entrar em casa, tudo quebrava. Era delicado como uma flor. 

Nos casos acima, a palavra “flor” foi empregada com três sentidos distintos. No exemplo (i), ela traduz seu sentido denotativo, ou seja, de planta. Já no exemplo (ii), ela estabelece uma metáfora, a fim de atribuir à Maria a característica de delicadeza, de beleza etc. Nesse caso, seu sentido é conotativo, distinguindo-se do caso (i). Finalmente, no exemplo (iii), a palavra “flor” foi empregada na construção de uma ironia, a fim de estabelecer um contraste entre com as características de João.
Desse modo, o sentido das palavras, ou seu valor semântico, pode variar conforme o contexto. Estando claro essa característica mutável, destaca-se essa dinâmica nas conjunções.

Valores semânticos: POSTO QUE!

Quais são os valores semânticos das conjunções? 

As conjunções são palavras ou locuções que têm o objetivo de ligar orações, estabelecendo uma relação coordenativa ou subordinativa. Nesse sentido, são classificados 10 sentidos distintos que podem ser estabelecidos pelas conjunções.
No caso das conjunções coordenativas, elas podem ser:

  • Aditivas – Eu e maria fomos ao cinema. 
  • Adversativas – O plano era bom, mas não era perfeito.
  • Alternativas – Ou ela namoraria Carlos ou Gustavo.
  • Conclusivas – Almocei, portanto estou sem fome.
  • Explicativas – Gostaria de ir à festa porque gosto muito dela.

Já quanto às conjunções subordinativas, elas são classificadas como:

  • Causais – Uma vez que não ela estava pronta, decidi esperar. 
  • Concessivas – Embora fosse difícil a prova, ele não se assustou.
  • Condicionais – Se ela quiser mesmo, ela fará essa viagem.
  • Finais – Ele estudou para passar no concurso. 
  • Temporais – Quando ficava com medo, a criança chorava. 

 

Qual o valor semântico da conjunção posto que?

Tendo explicado o valor semântico das conjunções, ficou claro que ele pode se alterar no tempo e no espaço. Assim, podemos agora analisar o sentido da conjunção posto que.
É interessante destacar que a conjunção posto que é, comumente, utilizada como expressão causal. Isso decorre das alterações de uso ocorridas no tempo, o que acabou legitimando esse na linguagem coloquial. Por exemplo:
Ela não conseguiria terminar suas tarefas hoje, posto que chegou atrasada.  
Todavia, esse não é o sentido gramaticalmente correto da conjunção. Na verdade, conforme a norma culta, a locução posto que exprime um sentido concessivo. Isso é observado, por exemplo, no “Dicionário de Questões Vernáculas”, de Napoleão Mendes, onde o autor afirma que “posto que”:

“É locução conjuntiva, de sentido concessivo, e não causal; significa ainda que, bem que, embora, apesar de: ‘Um simples cavaleiro, posto que ilustre’ – ‘E, posto que a luta fosse longa e encarniçada, venceram’.”

Assim, partindo-se de exemplo mais conhecido, o emprego da conjunção pelo saudoso Vinicius de Moraes, em seu famigerado “Soneto de Fidelidade”, não está correto do ponto de vista gramatical:
“(…) E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure.” 

Na estrofe, vemos que a intenção do autor foi usar a conjunção “posto que” com sentido causal. Trata-se de um uso, como dito, ainda que reconhecido pelo tempo e pelo uso, não aceito pela gramática.
Assim, não se deve confundir mais o sentido expresso pela conjunção. Esse, conforme as gramáticas normativas, deve ser sempre concessivo, equivalendo-se a “apesar de”, “conquanto”, “embora” etc.
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