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5 Questões de Conectores Textuais (Com comentários)

5 Questões de Conectores Textuais (Com comentários)

Equipe Flávia Rita

Conectores são termos usados na construção do sentido frasal a partir da ligação de palavras ou de orações. Com isso em mente, vamos ver como eles podem aparecer em questões fechadas de bancas de concurso.

Uma das ferramentas mais importantes de se dominar para elaborar um texto é a de conectores textuais. Por serem responsáveis pela construção de sentido tanto entre as orações como também dentro de uma mesma orações, muitos alunos acabam se confundindo na hora de os empregar. O resultado acaba sendo textos mal articulados, confusos, com desrespeito às melhores práticas de coesão e desvios gramaticais gramais. Dito isso, vamos entender o que são são conectores textuais e como eles podem aparecer na sua prova de fechada.

Conectores Textuais

Conectores textuais são as palavras ou locuções utilizadas com a finalidade de ligar segmentos textuais que apresentam ideias, termos ou argumentos que se relacionam entre si. Nesse sentido, devem ser entendidos como um elemento essencial à coesão do texto. Há uma tendência de limitarmos os conectores à classe de conjunções, entretanto, outras também podem cumprir essa mesma função. Esse é o exemplo das preposições, dos pronomes e, entre outros, dos advérbios.

Confira os seguintes exemplos para ver como um conector estabelece o sentido lógico entre orações:

  • Para concluir o trabalho, precisava se dedicar.
  • Ao concluir o trabalho, precisava se dedicar.
  • Embora tenha concluído o trabalho, precisava se dedicar.
  • Por ter concluído o trabalho, precisava se dedicar. 

Observe que, em cada oração, é expressa uma ideia específica a respeito das ações do autor. Na primeira, há um conctor final, que estabelece um senso de finalidade entre as ações, ou seja, a dedicação era necessária para a conclusão do trabalho.

Na segunda, construíu-se, por sua vez, uma relação temporal, segundo a qual a dedicação seria necessária após a conclusão do trabalho.

Na terceira (você deve ter imaginado), existe uma relação concessiva. Isso quer dizer que a dedicação ainda era necessária, mesmo tendo o sujeito concluído seu trabalho.

Finalmente, na quarta oração, há uma relação causal, no sentido de que a dedicação é necessária em razão de se ter terminado o trabalho.

Note que as orações , não obstante terem elas elementos semelhantes, exprimem sentidos bastante diversos. Isso se deve exatamente pelo uso de conectores variados.

Viu como se trata de uma ferramenta importante para a construção textual? Após essa pequena revisão, vamos ver como essa matéria costuma aparecer nas questões de provas. Separamos aqui 5 questões da Vunesp e comentamos cada uma delas, de forma que você não fique com com dúvidas.

Questão 01 de Conectores Textuais.

Assinale a alternativa em que está corretamente identificada, nos colchetes, a relação de sentido que o trecho destacado estabelece no contexto.

a) … o autor desse artigo supostamente sério massacra a ciência e o bom senso todas as vezes que pode, colocando em pé de igualdade teorias científicas e pseudocientíficas. [restrição]

b) … Sokal escreveu outro artigo revelando que tudo não passara de uma paródia escrita com a finalidade de desmascarar absurdos pós-modernistas que passam por reflexão séria. [condição]

c) … Sokal temperou esse caldo indigesto de modo a torná-lo apetecível ao gosto pós-moderno com uma quantidade enorme de citações e referências bibliográficas… [concessão]

d) Pega com as calças nas mãos, a Social Text decidiu não publicar esse segundo artigo. [causa]

e) … Sokal publica na França o livro Impostures Intellectuelles (Imposturas Intelectuais), em que a paródia de “Transgredindo as fronteiras” adquire os contornos de uma crítica articulada às claras. [consequência]

Comentário:

A letra A não apresenta relação de sentido adequada entre o trecho sublinhado e a palavra entre colchetes, uma vez que se exprime na frase uma explicação. A letra B também se mostra errada, dado não haver uma condição no trecho sublinhado, mas sim uma explicação. A letra C não traz interpretação correta do segmento sublinhado, o qual exprime sentido de finalidade. A letra D é o gabarito da questão, pois o trecho sublinhado apresenta uma causa para o segmento que o segue. A letra E, por fim, está errada, já que apresenta no trecho uma explicação e não uma consequência.

Questão 02 de Conectores Textuais.

Na passagem – O objetivo é arregimentar multidões de crianças e adolescentes, dando-lhes a ilusão de que consomem um produto que não faz mal à saúde. – o trecho destacado expressa, em relação ao anterior, a noção de

a) condição.

b) concessão.

c) comparação.

d) tempo.

e) modo.

Comentário:

O segmento destacado apresenta uma oração subordinada reduzida de gerúndio, a qual imprime um sentido modal à frase. Observe que, ainda que não haja conector apto a deixar clara a relação coesiva, ela é depreendida do contexto, a partir da interpretação de que a conquista das multidões de crianças se faria mediante a promoção da ideia de que o consumo do produto não faria mal. Portanto, correta a letra E, sendo ela o gabarito da questão.

Questão 03 de Conectores Textuais.

É correto afirmar que a expressão destacada na passagem – … queremos formar uma ideia sobre acontecimentos importantes, ainda que apenas modestamente parecida com a realidade. – introduz, no contexto, relação de sentido de

a) restrição, e pode ser substituída por “contanto que”.

b) concessão, e pode ser substituída por “mesmo que”.

c) modo, e pode ser substituída por “apesar de que.

d) conclusão, e pode ser substituída por “portanto”.

e) finalidade, e pode ser substituída por “a fim de que”.

Comentário:

A locução “ainda que” estabelece entre as orações uma relação de concessão, equivalente às conjunções “embora” e “conquanto”. Portanto, correta a letra B, sendo ela o gabarito da questão.

Questão 04 de Conectores Textuais.

Leia o texto para responder à questão.

O que é ser jovem até o fim

O que significa envelhecer? Ouso me perguntar o significado deste verbo que a modernidade ocidental baniria da língua se pudesse. No primeiro sentido do dicionário, envelhecer é se tornar velho. A frase me remete a um amigo de infância, Francisco, precocemente envelhecido. Continuo, no entanto, sem resposta.

Volto ao dicionário. No segundo sentido, envelhecer é tomar aspecto de velho. Olho a foto de Jacques Lacan, psicanalista francês com o qual trabalhei, e vejo seus cabelos brancos. Só que ele não é velho pelas suas cãs*. A intensidade do olhar evidencia a juventude do homem, que era jovem aos setenta e quatro anos, quando o conheci.

Nos outros sentidos que o dicionário dá, eu também não encontro resposta. No caso dos humanos, não se pode dizer que envelhecer é perder o viço. O homem não é um fruto. Tampouco se pode dizer que é estar em desuso. O homem não é um objeto.

A busca de um esclarecimento, através da língua, se mostra infrutífera. Olho de novo para a foto e me digo que o envelhecimento físico não é suficiente para caracterizar o velho. Me pergunto então por que Lacan não o era com mais de setenta anos, enquanto Francisco envelheceu aos sessenta.

Comparando-se a Picasso, Lacan dizia que não procurava as suas ideias, simplesmente achava. Um belo dia, declarou no seminário: “Eu agora procuro e não acho”. Com esta frase, anunciou que a sua vida começava a acabar.

A juventude de Lacan, como a de Picasso, estava ligada à capacidade de se renovar através do trabalho. Duas vezes por mês, se apresentava em público, diante de mil pessoas, com ideias novas, e, para isso, muito se esforçava.

Lacan foi um exemplo de vida por nunca ter parado de começar. Embora fosse um intelectual, Francisco, ao contrário, considerou, a partir dos sessenta, que já não podia começar nada de novo e não parou de se repetir. Não quis abrir mão de nenhum hábito da juventude. Lamentava o tempo que passa, porém não aceitava este fato e não se detinha nas mudanças do corpo para encontrar soluções de vida.

Só sabia dizer: “Na minha idade é assim”. Foi vítima de uma fantasia arcaica sobre a idade e viveu à contramão do tempo, fazendo de conta que o tempo não passa. Morreu precocemente por não ter sido capaz de entender que, depois de ser natural, a juventude é uma conquista.

(Betty Milan. Veja, 15.06.2011. Adaptado)

*cãs: cabelos brancos

A alternativa que associa as duas últimas frases do terceiro parágrafo estabelecendo relação de causa é:

a) Tampouco se pode dizer que é estar em desuso, ainda que o homem não seja um objeto.

b) Tampouco se pode dizer que é estar em desuso, não obstante o homem não seja um objeto.

c) Tampouco se pode dizer que é estar em desuso, quando o homem não é um objeto.

d) Tampouco se pode dizer que é estar em desuso, à medida que o homem não é um objeto.

e) Tampouco se pode dizer que é estar em desuso, já que o homem não é um objeto.

Comentário:

A letra A não atende ao comando da questão, já que a conjunção “ainda que” estabelece uma relação concessiva entre as orações. A letra B está errada, pois também cria uma relação concessiva com a conjunção “não obstante”. A letra C incorre em erro ao estabelecer uma relação temporal. A letra D, por sua vez, não atende ao enunciado porque a locução “à medida que” estabelece uma relação proporcional entre as orações. Por fim, a letra E é o gabarito da questão, dado ser a conjunção “já que” classificada como causal.

Questão 05 de Conectores Textuais.

Considere a seguinte passagem:

Seria um exagero dizer que Hilleman morreu na obscuridade. Seus pares sempre o reconheceram como um gigante …

A relação de sentido entre as orações dessa passagem é de

a) contrariedade, podendo ser expressa pela conjunção “entretanto”.

b) alternância, podendo ser expressa pela conjunção “ou”.

c) tempo, podendo ser expressa pela conjunção “quando”.

d) explicação, podendo ser expressa pela conjunção “pois”.

e) comparação, podendo ser expressa pela conjunção “como”.

Comentário:

A passagem transcrita no enunciado apresenta uma relação de explicação entre as orações, uma vez que o segmento “seus pares sempre o reconheceram como um gigante” explica a afirmação do autor de que “seria um exagero dizer que Hilleman morreu na obscuridade. Portanto, correta a letra D, sendo ela o gabarito da questão.

Gabarito

1 – D; 2 – E; 3 – B; 4 – E; 5 – D.

Alguma dúvida?

O qua achou? Simples, não é mesmo? Se ainda ficou alguma dúvida depois dessa explicação, você pode nos contar nos comentários! Além disso, caso você queira ver mais conteúdo de português sobre regência verbal, redação (introdução desenvolvimento) ou pontuação, confira nossos outros textos!

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