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Uso do Hífen segundo o Novo Acordo Ortográfico

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por: Equipe Flávia Rita

As regras para o uso do hífen sofreram profundas alterações com o Acordo Ortográfico, obrigatório desde 2016. Vamos ver aqui como o sinal deve ser empregado atualmente e, enfim, entender todas as regras para o seu uso.

As regras para o uso do Hífen

O hífen é um sinal empregado em diversas situações linguísticas. Muito comum nos substantivos compostos, na translineação, na divisão silábica e na colocação pronominal, ele será utilizado com a finalidade de estabelecer uma união semântica entre os termos.

As regras são divididas a partir de dois grupos:

  • Grupo das palavras derivadas
  • Grupo das palavras compostas

Uso do Hífen em palavras derivadas

 #1 Quando a palavra for formada por um prefixo seguido de radical iniciado por vogal distinta, ela será grafada junta, ou seja, sem o emprego do hífen.

  •  Exemplo: auto + estima = autoestima. Micro + empresa = microempresa.

#2 Quando a palavra for formada por um prefixo seguido de radical iniciado por vogal igual, haverá hifenização, com a separado dos dois elementos.

  • Exemplo: Micro + ondas = micro-ondas. Anti + inflamatório = Anti-inflamatório.

#3 Nos casos de prefixo “co-“ ou “re-“ seguido de radical iniciado por vogal, seja ela igual, seja ela distinta, não haverá emprego de hífen.

  • Exemplo: reescrever, reelaborar, coordenar, cooperar, coexistir, reavaliar.

#4 Em palavras formadas por um prefixo seguido de radical iniciado pela letra “–s”, essa será duplicada, não se fazendo uso do hífen.

  • Exemplo: Ultrassom, contrassenso, minissaia, cosseno…

#5 Em palavras formadas por um prefixo seguido de um radical iniciado por “–r”, não haverá hífen, sendo a letra “-r” duplicada.

  • Exemplo: Antirrábica, corréu, contrarrazões, ultrarromântica…

#6 No caso dos prefixos “super-“, “hiper-“ e “inter-“, será obrigatório o uso do hífen quando o radical iniciar com as letras “h” e “r”.

  • Exemplo: Supermercado, supermãe, internacional, super-homem, hiper-romântico, inter-racial, superdica.

 #7 Quando a palavra possuir radical iniciado pela letra “h”, será utilizado hífen.

  •  Exemplo: Reaver, contra-homenagem, anti-humano.

#8 Nos casos dos prefixos “sub-“ ou “sob-“, será utilizado hífen quando forem eles seguidos das letras “h”, “b” e “r”.

  • Exemplo: Sub-reino, subestimar.

 #9 No caso de Contra à com hífen quando seguido das letras “h” e “a”.

  •  Exemplo: contra-ataque, contrafilé…

 #10 No caso dos prefixos “pan-“ e “circum-“, o hífen será obrigatório quando seguido das as letras “m”, “n” e vogal.

  •  Exemplo: Pandemônio, pan-americano, pangeia, circum-navegação…

#11 As palavras formadas pelos sufixos “açu-”, “guaçu-” e “mirim-” serão sempre separadas por hífen.

  • Exemplo: rio-açu, rio-guaçu, rio-mirim.

#12 Os vocábulos “bel”, “recém”, “aquém”, “além”, “bem” e “mal”, em geral, são grafados com hífen.

  • Exemplo: Recém-nascido, bel-prazer, aquém-mar, bem-me-quer, além-mar.

Uso do hífen em palavras COMPOSTAS

#1 Em palavras compostas por elementos de ligação (preposição ou conjunção), não se emprega o hífen, sendo a expressão grafada de forma separada.

  • Exemplo: Pão de ló, pé de moleque, pôr do sol.

#2 Quando se tratar de nome de plantas ou de animais, será utilizado o hífen.

  • Exemplo: Bem-me-quer, lobo-guará, couve-flor

#3 A grafia dos dias da semana continua sem feita com o uso do hífen.

  • Exemplo: Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira.

#4 Nas palavras compostas por justaposição, a nova ortografia aboliu o uso do hífen quando se tenha perdido a noção de composição (VOLP).

  •  Exemplo: Banana-maçã, passatempo, girassol.

Questões comentadas

 Questão 01. (Prefeitura do Rio de Janeiro. Prefeitura do Rio de Janeiro. Professor de Língua Portuguesa. 2019)

Texto III: O que é uma língua?

A padronização, a gramatização, a ortografização de uma língua têm constituído, em todos os momentos históricos, um processo de seleção e, como todo processo de seleção, um processo simultâneo de exclusão. A centralização dos Estados nacionais a partir do Renascimento em torno da figura do rei, símbolo da nacionalidade, acarretou a construção política de uma língua nacional, de uma língua oficial.

Ora, que critérios poderiam ser empregados para definir essa língua oficial, essa língua que, de materna, se transformará em língua paterna, língua pátria, língua oficial? Em meio à diversidade linguística que sempre caracterizou todos os países da Europa, que língua ou que variedade de língua será arrancada de sua dinâmica social para se transformar em monumento, em símbolo da identidade nacional?

Os critérios serão, sempre, de ordem política e nunca-jamais de ordem “linguística”, no sentido de não haver possibilidade alguma de uma variedade ser escolhida por algum conjunto de características “inerentes” (beleza, elegância, riqueza, concisão etc.) que a tornem “naturalmente” mais apta a ser eleita para o processo de hipostasiação. A língua escolhida será sempre, nos casos das nações unificadas, a língua ou dialeto falado na região onde se situa o poder, a Corte, a aristocracia, o rei.

A famosa Ordonnance de Villers-Cotterêts assinada em 6 de setembro de 1539 pelo rei Francisco I, decreta que todo e qualquer documento legal, contratos, sentenças, testamentos etc., “sejam pronunciados, registrados e entregues às partes em linguagem materna francesa, e não outramente”. Ora, essa “linguagem materna francesa” é de uso extremamente minoritário no século XVI, e mesmo no final do XVIII, como veremos adiante, era desconhecida por três quartos da população da França. Sua escolha como língua oficial se deve ao mero fato de ser a língua materna do rei, o que é razão suficiente para decretar sua oficialidade, apesar de sua reduzida difusão entre os súditos. Com isso, o que poderia parecer um ato de democratização das relações entre o poder e os cidadãos – a substituição do latim pelo francês nos atos oficiais – era, na verdade, uma reafirmação do caráter aristocrático daquele regime político e se prendia ao simples fato de, àquela altura da história francesa, o latim já ser uma língua desconhecida para a maioria dos membros da elite política e cultural.

A língua ou variedade de língua eleita para ser oficial será objeto de um trabalho de codificação, de padronização, trabalho empreendido pelos gramáticos, e também de criação de um léxico novo, amplo, que permita à língua ser instrumento da alta literatura, da ciência, da religião e do direito.

Por conseguinte, e ao contrário do que comumente (e lamentavelmente) se lê em textos assinados por (socio)linguistas – num discurso que se repete também nos livros didáticos de português, supostamente “atualizados” com os avanços da ciência linguística –, a norma-padrão definitivamente não é uma das muitas variedades linguísticas que existem na sociedade. Não existe uma variedade padrão (aliás, uma contradição em termos, pois se é padrão, isto é, uniforme e invariante, como pode ser uma “variedade”?), nem um dialeto-padrão, nem uma língua padrão, embora esses termos pululem na bibliografia dedicada ao tema. O que existe é uma norma-padrão, língua materna de ninguém, língua paterna por excelência, língua da Lei, uma norma no sentido mais jurídico do termo.

Marcos Bagno

“O que é uma língua? Imaginário, ciência e hipóstase” In: LAGARES, X. C.; BAGNO, M.

Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo: Parábola, 2011

No terceiro parágrafo, o emprego do hífen produz o efeito de:

a) neutralizar a sinonímia eventual de um termo

b) negligenciar o efeito adversativo de um elemento

c) questionar a existência dos termos nos dicionários

d) acumular a avaliação negativa contida nos itens lexicais

Gabarito: Letra D

Comentário: O hífen empregado no terceiro parágrafo do texto tem a finalidade reforçar a semântica de negação dos advérbios que compõem a palavra criada. Portanto, correta a letra D.

Questão 02. (IF-PE. IF-PE. Técnico de Assuntos Educacionais. 2019) A correção ortográfica é um elemento que contribui para compreensão do sentido do texto. O Novo Acordo Ortográfico normatiza o uso do hífen em algumas palavras, como é o caso de “minicursos”, que deve ser escrita sem hífen, assim como

a) couveflor.

b) antirreligioso.

c) bemvindo.

d) panamericano.

e) microondas.

Gabarito: Letra B

Comentário: A letra A está errada, pois, em nomes de plantas ou animais, deve ser empregado o hífen – couve-flor. A letra B está correta e é o gabarito da questão, uma vez que palavra prefixada cujo radical seja iniciado pelas letras “r” ou “s” será grafada sem hífen, sendo dobrada as consonantes mencionadas. A letra C está errada, pois a forma correta exige o uso de hífen – bem-vindo. A letra D está errada, dado ser obrigatório o uso de hífen em palavras formadas pelos prefixos “pan” ou “circum” quando seguidas das letras “m”,  “n” ou vogal – pan-americano. A letra E está errada, pois o prefixo termina com igual letra que inicia o radical, caso em que se dobra a vogal e se dispensa o hífen.

Questão 03. (Fundação CEFETBAHIA. Prefeitura de Barreiras – BA. Psicólogo. 2019) Considerando o uso adequado do hífen, de acordo com o novo acordo ortográfico, analise as orações a seguir.

I – Jogar lixo em ambientes hospitalares é altamente anti-higiênico.

II – Dr. Alfredo é um excelente médico, mas não atua tão bem como neuro-cirurgião.

III – A paciente desejava uma lipo-aspiração para a redução de medidas.

IV – Os cuidados pós-cirúrgicos são essenciais para um pronto restabelecimento.

O uso adequado do hífen é observado

a) apenas na oração I.

b) apenas na oração II.

c) nas orações II e III.

d) nas orações I e IV.

e) nas orações III e IV.

Gabarito: Letra D.

Comentário: O item I está correto, pois deve ser empregado hífen em palavra iniciada pelo prefixo “anti” cujo radical comece pela letra h. O item II está incorreto, uma vez que não se usa hífen em palavras que não iniciam com a letra “h” nem com vogal idêntica à última do prefixo. O item III está errado, já que há duas palavras com vogais finais distintas, de maneira que não é necessário o uso do hífen. O item IV está correto porque o prefixo “pós” será separado por hífen.


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