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Verbo usar e suas diferentes regências verbais

Verbo usar e suas diferentes regências verbais

Equipe Flávia Rita

O verbo usar é costumeiramente utilizado em diferentes formatos. Algumas vezes sem preposição, outras, acompanhado de um conector específico. Confira agora quais as regências do verbo usar e como ele pode aparecer na sua frase segundo a gramática normativa.

Noção geral de regência

Primeiramente, vamos deixar claro o que se entende por regência. Essa nomenclatura gramatical tem sido adotada em sentido amplo e restrito. No primeiro, ela equivale à ideia de subordinação sintática, em que algumas palavras subordinam outras. Já no segundo, a regência diz respeito, conforme a lição de Celso Pedro Luft:

“[…] à subordinação especial de complementos às palavras que os preveem na sua significação”.

Explicando: considera-se regência em sentido restrito a necessidade ou a desnecessidade de se empregar uma complementação específica em decorrência da significação dos nomes e verbos utilizados. Complicado? Vamos esclarecer mais.

Por exemplo, na frase “Marco colocou o livro sobre a mesa”, há um caso de regência verbal. O verbo “colocar” rege seus complementos “o livro” e “sobre a mesa”. Nesse processo, poderá haver ou não a presença de complementos, a serem determinados pela semântica do verbo.

Esses complementos poderão assumir diferentes formatos morfossintáticos, como objetos direto e indireto, adjuntos adnominais, complementos nominais, entre outros. As preposições regentes, contudo, não são, muitas vezes, fixas ou únicas, podendo existir outras opções de construção verbal que permitam uma variação de termos. Nessa situação, é possível que a variação dos elementos preposicionais promova uma alteração no próprio sentido do verbo.

Assim, quando se fala em regência verbal, fala-se, na verdade, do emprego de um complemento específico do verbo. Normalmente, essa matéria exige o conhecimento prévio acerca da preposição regente, ou seja, aquela que é exigida pela semântica verbal.

Feita essa introdução, e imaginando estarem afastadas nossas dúvidas sobre o que é, de fato, regência verbal, vamos ver como ela ocorre no verbo usar.

Transitividade do verbo usar

O verbo usar exprime diferentes sentidos, tais como fazer uso de, servir-se de, empregar, pôr em prática etc.

Em termos de transitividade, o verbo usar pode ser empregado como verbo transitivo direto, transitivo indireto ou mesmo com transitividade direta e indireta, Quando for empregado com complemento indireto, poderá ser o verbo usar regido por diferentes preposições.

Vamos entender. Cada uma dessas situações.

Verbo usar com transitividade direta 

O verbo usar, quando empregado sem preposição, terá como complemento um objeto direto.

Observe as seguintes frases:

  • Márcia usava sempre seu computador.   
  • Marcelo usou seus amigos como testemunhas.
  • Os alunos de Literatura usam recursos linguísticos bastante elaborados.   
  • O governo usa várias artifícios legais para não ser responsabilizado..  
  • Mauro usava sempre botas finas

Verbo usar com transitividade indireta

O verbo usar pode aparecer também seguido de algumas preposições. Nessas situações, o sentido expresso será normalmente o mesmo, embora possam ocorrer, em alguns contextos, pequenas variações de semântica.

Quando for ele empregado com transitividade indireto, será o verbo regido, na maioria dos casos, pela preposição “de”. Confira os seguintes exemplos:

  • Deus usou de infinita criatividade ao criar o mundo.
  • Marcos usava sempre de bondade em suas relações.
  • Carlos usava dos serviços de sua tia. 
  • Maurício usava das teses do professor para convencê-lo.

Aqui, é interessante fazermos uma observação. Quando o verbo usar possuir complemento indireto seguido de um advérbio de modo, poderá ele exprimir um sentido de “portar-se” ou “proceder-se”, tais como nos exemplos abaixo:

  • Usa generosamente com os amigos
  • Espero que use com ela assim como usou comigo.

Verbo usar (de) + infinitivo 

Por fim, cabe comentar sucintamente a respeito de um uso específico do verbo usar.

É possível que ele apareça em orações acompanhado ou não de preposição “de”, sendo seguido de verbo no infinitivo. Nessa situação, terá ele o sentido de “por costume”, de “costumar” ou de “estar habituado (a)”.

Ou seja, o emprego dessa estrutura promoverá uma variação no sentido tradicional do verbo. Observe:

  • Ele usa (de) ler bastante quando acorda. (Ele tem por hábito ler bastante quando acorda) 
  • Os brasileiros usam (de) ver desvios de conduta serem impunes. (Os brasileiros acostumaram-se a ver desvios de conduta serem impunes).
  • Maria não usa (de) mentir. (Maria não tem o costume de mentir)

Alguma dúvida?

O qua achou? Simples, não é mesmo? Se ainda ficou alguma dúvida depois dessa explicação, você pode nos contar nos comentários! Além disso, caso você queira ver mais conteúdo de português sobre regência verbal, redação (introdução desenvolvimento) ou pontuação, confira nossos outros textos!

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