/Você sabe como fazer um texto para a FCC? Análise de ponto a ponto da prova discursiva-redação!


Você sabe como fazer um texto para a FCC? Análise de ponto a ponto da prova discursiva-redação!

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por: Equipe Flávia Rita

Você já deve saber que a FCC é famosa por cobrar, em suas redações, temas mais gerais, de conteúdo filosófico, não é mesmo? Aqui vamos analisar um texto e entender o que pode ser feito e o que deve ser evitado, de maneira que você entenda quais estratégias argumentativas você deve usar e como a banca poderá penalizar a nota final! Vamos lá?

Leia o seguinte tema do concurso do Tribunal Regional do Trabalho 2ª Região para o cargo de Analista Judiciário – Área Judiciária:

PROVA DISCURSIVA-REDAÇÃO

TEXTO I

 Em sua Genealogia da Moral, Nietszche lança a pergunta sobre a origem do bem e do mal, ou melhor, das noções de bem e mal, de certo e errado, e de sua aplicabilidade universal, pondo em causa, assim, uma ligação que, para ele, existia entre a filosofia e as religiões, e que se estendia mesmo para a organização dos Estados e dos sistemas econômicos, a crença em um bem absoluto.

TEXTO II

A autonomia do sujeito tem relação estreita com o conhecimento de sua própria natureza e de suas necessidades, em um movimento que tanto mais se opõe à lógica da generalização quanto mais singulares nos percebemos. Com base nos dois excertos acima, elabore um texto dissertativo-argumentativo. Justifique sua resposta.


Vamos ver como esse tema foi abordado por um aluno:

Na sociedade contemporânea, as discussões acerca das noções de bem e mal oportunizam uma reflexão sobre até que ponto essas concepções devem ser consideradas absolutas. Nesse sentido, devem ser avalizadas as noções que cada indivíduo possui sobre o que seria bem ou mal para si mesmo de maneira que sejam evitadas generalizações que enfraqueçam direitos fundamentais.

As concepções de bem e mal surgem na sociedade a partir das necessidades de se regular as relações humanas. Na Grécia antiga, os filósofos já discutiam sobre a importância da ética e da moral como forma de valorizar condutas como a honestidade e a probidade, tão necessárias na atualidade. Assim, para um bom convívio social é importante difundir esses valores, bem como as noções de bem e mal. Isso permitirá o progresso do respeito ao próximo, o exercício da tolerância e do respeito à diversidade humana.

Além disso, também deve ser levado em consideração o respeito pelo que cada indivíduo considera como bem e mal para si mesmo, o que pode variar muito a depender de sua origem étnica, religião e orientação sexual. Assim, considerar apenas concepções que beneficiam a sociedade de forma generalizada pode ferir seriamente direitos individuais. Dessa forma, é importante fomentar o exercício de direitos pelas minorias, de maneira que, no convívio social, não existam noções de aplicabilidade absoluta.

A concepção das noções de bem e de mal deve, portanto, ter sua aplicabilidade de maneira que exista benefícios para a sociedade como um todo, mas também respeitem os direitos individuais. Isso permitirá com que, no convívio social, exista respeito à diversidade humana, que é da própria natureza humana, e fortaleça os direitos fundamentais e a democracia, tão importantes numa sociedade.


Vamos agora analisar os erros e os acertos da redação, lembrando que os critérios de correção envolveram a avaliação do conteúdo, da estrutura e da expressão empregada:

ANÁLISE DOS PARÁGRAFOS

PARÁGRAFO DE INTRODUÇÃO

A introdução está bem elaborada, pois delimita claramente o assunto – discussões das noções de bem e mal e a reflexão sobre essas concepções – em dois períodos. No segundo, há um esclarecimento preliminar do que será desenvolvido nos parágrafos seguintes, o que, em termos de estratégia argumentativa, mostra-se positivo, já que delimita o tema e prepara o leitor de antemão para o desenvolvimento do tema. Entretanto, há problemas na expressão por motivo de repetição da palavra “noções”, o que pode prejudicar a nota no respectivo quesito.

Uma maneira de agregar ainda mais qualidade ao argumento introdutório seria, em vez de se abordar a noção do bem e do mal, optar por uma reflexão sobre o que se tem por certo e errado .nas dimensões subjetiva e objetiva, ou individual e social. Além disso, poderia, ainda na introdução, em um terceiro período, ter sido apresentado outro aspecto que permeia o tema, de maneira a mostrar maior domínio do conteúdo.

PARÁGRAFOS DE DESENVOLVIMENTO (2º E 3º PARÁGRAFOS)

Em termos de conteúdo, o primeiro parágrafo do desenvolvimento, ao estabelecer uma relação entre a Grécia antiga e a atualidade, peca pela conclusão implícita de que a honestidade e a probidade não seriam necessárias naquele período. Essa quebra da lógica social e textual prejudica a nota no quesito de conteúdo. Um outro problema que se percebe é a falta de progressão dos argumentos, pois reitera-se, constantemente, o ponto das discussões acerca do bem e do mal. Também há uma falha na causalidade apontada, pois não há nexo lógico entre a causa (noção de bem e mal) e o efeito (progresso do respeito…) apontados.

Em termos de estrutura, o parágrafo apresenta erros no uso de alguns conectores, como os conclusivos “assim” e “dessa forma” empregados fora da conclusão. A conjunção “além disso”, por não estabelecer uma adição dentro do assunto já apresentado, mas, sim, alterar o ponto do argumento, também se mostra erroneamente utilizada.  Ambos os casos podem ensejar dedução da nota por falha na paragrafação ou pelo estabelecimento da coesão textual.

Em expressão, há ausência de vírgula logo após a oração subordinada adverbial final deslocada “para o bom convívio social”.

PARÁGRAFO DE CONCLUSÃO

Há erro de expressão no parágrafo da conclusão com a flexão incorreta do verbo “existir”, o qual, por ter sujeito plural, não poderia estar na forma singular, com a regência incorreta do verbo permitir, que não se rege, no período, pela preposição “com”. Além disso, há repetição das palavras “existir” e “humana”, o que prejudica a expressão e a estrutura textuais.

Também é possível identificar um erro na estruturação do período a partir do verbo fortalecer, uma vez que não é possível identificar qual seria o sujeito da ação.

Por fim, houve inovação do texto no parágrafo conclusivo ao se tratar de democracia, o que não foi abordado em nenhum outro momento do texto. Tenha em mente que a conclusão tem a natureza de se arrematar

AVALIAÇÃO E RECOMENDAÇÕES

Quanto à perspectiva adotada, percebe-se que o autor centrou sua tese em torno das noções de bem e mal, não a tendo desenvolvida em outros pontos. Isso findou por limitar a abordagem do tema. Acerca da capacidade de análise e do senso crítico em relação ao tema proposto, observa-se satisfatoriamente demonstradas no texto, conquanto tenha sido limitada à perspectiva adotada. Já com respeito à consistência dos argumentos, à coerência e à clareza no encadeamento das ideias, houve prejuízo em razão das repetições e das falhas na paragrafação.

Assim, além dos reparos de estruturação sintática e de paragrafação, para aumentar ter sua aumentada, seria recomendável, no conteúdo, ampliar a base analítica a partir da abordagem de mais questões além das ideias de “bem e mal”. Por exemplo, poderia ser abordado as relações entre o jurídico, a religião e a moral dentro de um contexto social e individual.


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